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'A Odisseia': Anne Hathaway protagonizou filme novo de Nolan (Reprodução)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 08h00.
Em "A Odisseia", uma sequência de cenas pode parecer feita com inteligência artificial (IA) — dos porcos de Circe ao Ciclope na caverna. Mas, ao contrário do imaginário público, na verdade, os efeitos do filme são mais práticos do que especiais. E, dessa vez, a IA (e até mesmo o CGI) ficou de fora.
O diretor do filme, Christopher Nolan, já se mostrou contrário ao uso da tecnologia no cinema.
Em entrevista a um canal do YouTube, Nolan afirmou que a IA "é um cavalo de Troia", que, segundo Nolan, assim como o presente de grego dado aos troianos na história, é algo que "você acolhe em seu dia a dia", apenas para vê-la se transformar em "algo diferente e mais sombrio".
“Acho que a IA é um cavalo de Troia que todos sabem que os gregos estão dentro", disse. Para Nolan, a IA é como “um cavalo transparente, feito de vidro”.
“Nunca vi uma tecnologia avançar tão rapidamente e ser tão completamente rejeitada pelo público”, afirmou. “A desconfiança em relação a ela é extrema, principalmente entre os jovens. A reação aos vídeos de IA online é incrível, com pessoas da idade dos meus filhos imediatamente chamando-a de ‘lixo de IA’, cunhando esse termo e simplesmente rotulando-a.”
Entre o ego e a ética, 'A Odisseia' de Nolan mira a moral humana (e o Oscar de 2027)Uma das cenas que mais gerou dúvidas entre os espectadores foi a dos porcos de Circe, quando a deusa transforma os soldados de Odisseu em animais.
Para a criação da cena, foram usados efeitos práticos, animatrons e próteses físicas em vez de imagens geradas por computador (CGI, na sigla em inglês). Os atores também usaram materiais maleáveis e mandíbulas móveis que lembram clássicos de terror.
O mais surpreendente, talvez, é o fato de que a atriz Samantha Morton, que interpreta Circe, esticou e moldou fisicamente a pele protética e as cabeças de manequim ao vivo no set, como se fossem argila úmida.
Além de tudo, houve um trabalho de câmera no qual ângulos específicos foram usados para ocultar cortes e fazer transições perfeitas entre os atores e os objetos físicos.
A equipe também filmou imagens ao contrário para dar a impressão de que a comida estava sendo forçada a descer pela garganta dos homens.
O Cavalo de Tróia também não usou efeitos especiais. Para o filme, o departamento de arte de Nolan construiu um enorme adereço prático de 10,7 metros de altura, pesando entre 3,6 mil e quatro mil quilos, em vez de usar imagens geradas por computador.
A estrutura utilizada nas cenas gravadas nas praias do Marrocos era arrastada repetidamente pelas dunas e sofreu tanto desgaste que a equipe passou a brincar que ela tinha "nove vidas".
Sempre que partes começavam a ceder, o departamento de arte fazia novos reparos para mantê-la em condições de uso até o fim da produção.
Construído em módulos, o cavalo foi dividido em nove ou dez seções independentes. As peças viajaram em caixas separadas até o Marrocos, onde foram montadas no set antes do início das gravações.
A engenharia foi colocada à prova na sequência em que o cavalo é levado até Troia. A produção projetou o modelo para que centenas de figurantes e integrantes do elenco conseguissem puxá-lo sobre as dunas com cordas e rolos de madeira, reproduzindo o esforço que a cena exigia.
Cavalo de Tróia: nem principal adereço do filme foi feito com CGI ou IA (Reprodução)
O realismo também se estendeu ao interior da construção. Em vez de gravar em um estúdio com efeitos digitais, os atores entraram na estrutura oca e filmaram em um espaço apertado, reforçando a sensação de confinamento vivida pelos personagens.
Nem mesmo o Ciclope ou os gigantes Lestrigões foram criados em CGI. Na Odisseia de Nolan, monstros da mitologia grega ganharam forma com animatrônicos gigantes, cenários construídos especialmente para as filmagens e efeitos produzidos diretamente diante das câmeras.
Os Lestrigões, descritos na mitologia como uma raça de gigantes canibais, foram retratados com a combinação de cenários monumentais, sistemas de cabos e a técnica de perspectiva forçada, que faz personagens e objetos parecerem muito maiores do que realmente são sem recorrer à computação gráfica.
Já o Ciclope foi representado por um animatrônico de cerca de 60 pés de altura construído dentro da Caverna de Nestor, na Grécia, local escolhido para as filmagens da sequência.
A estrutura mecânica permitiu que os atores contracenassem com uma criatura em escala real, enquanto o ator Bill Irwin emprestava voz e movimentos ao monstro durante as gravações, sincronizando a atuação diretamente no set.
'A Odisseia': nem mesmo os cenários foram feitos por CGI (Reprodução)
As paisagens de "A Odisseia" também foram filmadas sem recorrer a cenários virtuais. Nolan levou a produção para locações reais em seis países, registrando praias, cavernas e construções históricas com câmeras IMAX em vez de utilizar fundos digitais ou estúdios com tela verde.
Entre os cenários escolhidos está a Caverna de Nestor, na Grécia, que serviu de palco para o encontro entre Odisseu e o Ciclope.
A produção também gravou em praias e sítios históricos para preservar a escala e a iluminação naturais das cenas.
As sequências de batalha e dos exércitos espalhados pelo litoral seguiram a mesma lógica. Em vez de multiplicar personagens digitalmente, a equipe reuniu milhares de figurantes com figurinos completos para ocupar os cenários, ampliando a sensação de grandiosidade diretamente diante das câmeras.
Embora a produção tenha priorizado efeitos práticos, o CGI não foi completamente descartado.
Os efeitos digitais foram usados de forma pontual, principalmente para remover cabos de segurança, equipamentos visíveis e outros elementos técnicos que não poderiam aparecer na imagem final.
Algumas sequências também receberam complementos digitais.
As cenas envolvendo o redemoinho no mar, por exemplo, combinaram movimentos reais da água — produzidos com o auxílio de jet skis — com aprimoramentos em computação gráfica para aumentar a intensidade do fenômeno sem substituir os efeitos capturados durante as filmagens.
A proposta de Nolan foi utilizar o CGI como ferramenta de acabamento, preservando cenários, criaturas, multidões e efeitos físicos sempre que possível para manter a escala e o realismo das imagens.
O IMAX combina câmeras de alta resolução, telas gigantes e um sistema de som desenvolvido para aumentar a sensação de imersão. O objetivo é fazer com que a imagem ocupe uma área maior do campo de visão do espectador.
As câmeras IMAX capturam mais detalhes do que as convencionais, enquanto as salas utilizam telas maiores — muitas delas com projeção a laser — para exibir imagens mais nítidas e brilhantes.
O sistema também conta com áudio multicanal calibrado para cada sala, criando uma experiência sonora que acompanha a escala das imagens na tela.