Ofensiva no Irã: ao mesmo tempo em que Washington busca um acordo com Teerã, ofensivas militares visam reabrir o Estreito de Ormuz à circulação de petróleo (Marinha dos EUA/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15h26.
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos está buscando propostas "criativas e pouco convencionais" para aumentar a pressão sobre o Irã, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 3, pela emissora CNN e confirmadas pela agência EFE. A iniciativa ocorre no mesmo dia em que o presidente Donald Trump anunciou a retomada do diálogo com Teerã para tentar encerrar o conflito iniciado há cinco meses.
Segundo a reportagem, um alto oficial do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) enviou um e-mail a analistas militares solicitando novas ideias para ampliar a pressão sobre o governo iraniano. "Buscamos formas novas, criativas e pouco convencionais de pressionar e punir o Irã", afirmou o oficial.
Especialistas consultados pela emissora classificaram a consulta como incomum, principalmente por ter sido feita por e-mail. Para eles, o movimento indica que o governo americano avalia alternativas diante das limitações para convencer a liderança iraniana a aceitar um acordo de paz nos termos defendidos por Washington.
Segundo uma das fontes citadas pela CNN, o Centcom considera todas as possibilidades e reconhece que a estratégia adotada até agora precisa ser reformulada, já que o conflito segue sem perspectivas claras de resolução.
O pedido do Centcom foi enviado antes da mais recente ameaça de Trump de lançar novos ataques contra o Irã. O presidente americano, porém, afirmou no fim de semana que decidiu cancelar a operação após pedidos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, que defenderam a suspensão das ações militares para abrir espaço a um possível acordo.
O presidente afirmou nesta segunda-feira, 3, que o Irã deve escolher entre "um acordo ou uma rendição total". O aviso ocorre em meio à retomada das conversas diplomáticas por parte de Teerã, que se reúne com Omã para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, o governo iraniano age de forma "inacreditavelmente dúbia" ao negar negociações diretas com Washington enquanto, segundo ele, busca uma solução para a crise. "O Irã nunca terá uma arma nuclear", escreveu o presidente americano em publicação na Truth Social.
Trump também afirmou que o Estreito de Ormuz já está "completamente controlado pela Marinha dos Estados Unidos" e que nada chegará ao Irã sem autorização americana "até que um acordo, ou uma rendição total, seja alcançado".
As declarações ocorreram horas depois de o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmar que Teerã mantém negociações com Omã para discutir uma reabertura temporária do Estreito de Ormuz.
Segundo Baghaei, porém, as conversas são limitadas à criação de uma nova rota para navios cruzarem a região e não envolvem, neste momento, negociações diretas com os Estados Unidos.
"O foco das negociações com Omã será essa questão, enquanto os assuntos relativos ao Irã e aos Estados Unidos terão de ser examinados em etapas posteriores", afirmou.
De acordo com o governo iraniano, os dois países já trocaram mapas com possíveis corredores marítimos. Uma das alternativas analisadas prevê uma rota intermediária entre Omã e Irã que preserve os interesses de ambos.
Estados Unidos e Irã chegaram a assinar, em 17 de junho, um memorando de entendimento que previa o encerramento da guerra e o início de um processo de paz com duração de dois meses.
O acordo, porém, não impediu a retomada dos ataques entre os dois países. Após o reinício das hostilidades, Teerã anunciou o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, enquanto Trump determinou a reimposição do cerco naval às costas iranianas.
Com EFE