A Odisseia: Christopher Nolan dobra a ambição técnica e parte na aventura pela conquista do segundo Oscar (Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 12h05.
Em uma Hollywood dominada por telas verdes, imagens geradas por computador e retoques de inteligência artificial, chegar aos cinemas com um rolo de película de quase 300 quilos e mais de 18 quilômetros de extensão, com mínimos ajustes de efeitos especiais, é quase uma afronta à tecnologia. Christopher Nolan, no entanto, tem tido o prazer de travar essa batalha já há alguns anos e parece ter atingido a glória em seu novo filme, A Odisseia.
Com orçamento estimado em 250 milhões de dólares, o cineasta, que venceu o Oscar de Melhor Filme, Direção e mais cinco categorias com Oppenheimer em 2024, voltou às telonas com o filme mais grandioso de sua carreira. A Odisseia é o primeiro longa-metragem da história a ser inteiramente gravado com câmeras IMAX de 70 milímetros. As cenas são, em sua maioria, práticas. Os atores foram para dentro do mar, com batalhas coreografadas em cenários nos Estados Unidos, Escócia, Itália, Marrocos, Grécia e Islândia.
O elenco, aliás, é composto de nada mais, nada menos que Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Zendaya (Atena), Charlize Theron (Calipso) e Robert Pattinson (Antínoo).
“Seja pela linha narrativa que acompanha Odisseu, seja pelos episódios individuais que compõem toda a epopeia, A Odisseia está na base de praticamente todo o cinema”, afirma Nolan na entrevista de bastidores da Universal Pictures. “Tinha que ser algo grandioso. A obra certamente está presente, em algum grau, em todos os filmes que já fiz, eu só nunca havia percebido. Foi uma descoberta muito prazerosa à medida que mergulhei no trabalho de adaptação.”
Inspirado na epopeia grega de Homero, o cineasta iniciou uma busca obsessiva por um realismo visceral para dar o tom épico do filme. O herói da jornada é interpretado por Matt Damon, que entrega a atuação mais física e complexa de sua carreira.
“Ele [Nolan] me disse logo em uma de nossas primeiras reuniões que seria um filme difícil. Cuidei da forma física, da alimentação, da saúde e do descanso para evitar lesões, porque foi mesmo desafiador. Foram filmagens noturnas em praias de areia negra na Islândia, com chuva batendo de lado no nosso rosto, vento, frio. Dentro do mar, dentro da água. Não houve um único dia fácil, e cada dia teria sido o mais difícil de qualquer outro filme. Mas foi recompensador", comentou o ator.
Para além da qualidade técnica e da atuação de Damon, a fotografia de Hoyte van Hoytema e a trilha de Ludwig Göransson, vencedor do Oscar também por Oppenheimer, fecham um conjunto primoroso.
O filme já está em cartaz nos cinemas, e a melhor experiência para assisti-lo é em uma sala IMAX. Todo o aparato tecnológico, no entanto, não é mais que uma moldura para o que o longa tem de mais precioso nas entrelinhas: a lição de humildade diante do ego do homem e o impacto da guerra na humanidade.