Cereser long neck: preço médio sugerido é de R$ 6,99 por garrafa e estará disponível em plataformas como Zé Delivery, Rappi e iFood (CRS Brands/Divulgação)
Repórter
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 11h00.
Última atualização em 13 de fevereiro de 2026 às 13h50.
Dona da Cereser, bebida historicamente ligada ao brinde de fim de ano, a fabricante CRS Brands quer transformar a sidra em opção de verão — e mira o Carnaval para testar essa virada, com meta de movimentar R$ 20 milhões em cinco dias e colocar a empresa na rota de R$ 1 bilhão em faturamento até 2028.
A ofensiva passa por uma mudança de embalagem, de canais e de discurso. No centro da estratégia está a nova linha de garrafas individuais em formato long neck, pensada para tirar a Cereser da prateleira de “bebida de ocasião” e colocá-la no repertório do churrasco, da piscina e dos blocos de rua.
Só com a long neck, a empresa espera gerar R$ 7 milhões durante o Carnaval. A expectativa é puxar um crescimento de 35% no setor de sidras, que deve ultrapassar R$ 500 milhões em receita até o fim do ano.
O plano faz parte de um ciclo de transformação mais amplo. Prestes a completar 100 anos, a CRS redesenhou seu planejamento estratégico em 2024 com um objetivo claro: chegar “rumo ao bi” até 2028 e atualizar marcas clássicas, como Cereser e Dom Bosco, ao gosto de um consumidor que bebe menos, busca mais leveza e se informa pelas redes sociais.
A aposta é usar o Carnaval como vitrine e apostar em outros feriados e eventos ao longo do ano. "Não queremos ser lembrados somente no supermercado em dezembro", diz Bruno Faria, diretor comercial da companhia.
Para os próximos dias, a empresa montou um plano 360°: mais de 100 micro influenciadores em plataformas como TikTok e Instagram, ações de degustação em cerca de 50 bares e restaurantes parceiros e um camarote na Faria Lima, em São Paulo, em parceria com o influenciador Toguro e outros sócios.
Bruno Faria, diretor comercial da CRS Brands: marca passa por uma reformulação desde 2024 (CRS Brands/Divulgação)
Do lado da prateleira, o desenho também muda. A nova Cereser em long neck chega em versões com álcool e zero álcool, incluindo uma opção sem açúcar, todas com 20% de suco de maçã. O preço médio sugerido é de R$ 6,99 por garrafa e a marca já está integrada a plataformas como Zé Delivery, Rappi e iFood.
Esses detalhes acabam sendo um diferencial em relação às bebidas do segmento de ready to drink, bebidas alcoólicas prontas para consumo, que vem crescendo no Brasil.
Dados da consultoria NielsenIQ apontam que o crescimento acumulado desse mercado no Brasil já ultrapassa mais de 60%. Entre os novos consumidores da categoria, 29% são da Geração Z (18-28 anos), responsável também por 14,5% do aumento na frequência de consumo.
Por trás da guinada está uma leitura de mercado que vai além da sazonalidade da sidra. Segundo Faria, a indústria de bebidas alcoólicas enfrenta, ao mesmo tempo, uma redução no volume consumido e uma mudança de ocasião — efeito que ele enxerga com mais força na Geração Z, mas espalhado por outras faixas etárias.
As pessoas estão trocando baladas de madrugada por eventos diurnos, corridas de rua, brunchs e encontros em bares e restaurantes, o que exige um portfólio mais leve, menos alcoólico e alinhado a uma rotina que inclui esporte e cuidado com saúde mental.
A leitura é que o movimento de “beber menos, mas melhor” não se resume aos jovens. “Quatro gerações consomem nossa sidra ao mesmo tempo”, diz Faria. Ao mesmo tempo, cresce a busca por saudabilidade — bebidas com menos calorias, menos açúcar, menos teor alcoólico — sem abdicar da socialização.
Por isso, a estratégia não se limita ao Carnaval. Um dos próximos lançamentos é uma Cereser Cristal, inspirada nas sidras francesas, com garrafa dourada e proposta mais próxima dos espumantes finos — um produto presenteável, pensado para o Dia das Mães.
No curto prazo, o teste real acontece agora, nos cinco dias de folia. Se a Cereser vai, de fato, deixar de ser lembrada apenas no brinde da virada para ocupar espaço no cooler do bloco e na mesa do bar, ainda não dá para saber. Felizmente, o consumo de álcool muda mais rápido do que as tradições de fim de ano.