Baly 'Tadala': 23 milhões de pedidos (Baly/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 12h18.
Última atualização em 13 de fevereiro de 2026 às 18h05.
A ordem na Baly, empresa de energéticos do sul de Santa Catarina, é inovar.
A fabricante de energéticos do sul de Santa Catarina já colocou nas gôndolas sabores como champanhe, tropical spritz e caipirinha. A estratégia é clara: gerar curiosidade antes mesmo de falar de preço.
Mas nenhum lançamento fez tanto barulho, tão rápido, quanto a aposta para o Carnaval de 2026.
O Baly sabor “tadala” saiu como edição temática e virou assunto nacional em dias.
Em 25 dias, a empresa recebeu pedidos de venda de 23 milhões de unidades. Segundo a companhia, é o lançamento mais acelerado da sua história.
“Tivemos recordes de pedidos de venda, picos históricos de engajamento digital e um movimento espontâneo do consumidor nas lojas que confirma a força da estratégia”, afirma Dayane Titon Cardoso, diretora Comercial e de Marketing da Baly Brasil.
No TikTok, o termo “Baly Tadala” ultrapassou 2 milhões de visualizações em publicações sobre o produto. No Instagram, gerou milhões de Reels e posts com hashtags relacionadas, segundo a empresa.
Durante o Carnaval, tem dominado mais de 60% dos assuntos mais comentados nas redes, de acordo com dados internos da marca.
O produto surfou uma onda que já estava formada. Nos últimos anos, a palavra “tadala” deixou o ambiente farmacêutico e virou gíria associada a energia e disposição, presente em músicas, memes e conversas informais.
Foi essa a justiticativa da Baly para criar um energético "sabor tadala".
A Baly afirma, porém, que o produto não tem qualquer componente farmacológico. Segundo Dayane Titon Cardoso, a empresa segue todas as normas sanitárias e de rotulagem e deixa claro ao consumidor que se trata de uma bebida energética.
O sucesso veio acompanhado de polêmicas.
“Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval”, disse o Conselho de Farmácia.
Segundo a Baly, a ideia não é falar do medicamento, mas do aspecto cultural do termo "tadala". A Baly diz que em rodas de amigos, expressões como “toma um tadala” já eram usadas de forma informal para falar de ânimo.
A empresa apostou nesse código cultural para criar identificação imediata.
O efeito foi além do digital. Consumidores passaram a procurar o produto nas lojas, gerando fluxo no varejo. A escassez inicial reforçou a sensação de exclusividade típica de lançamentos sazonais.
“Todos os nossos produtos são completamente regulares e não contêm fármacos. A proposta faz referência ao significado cultural que a palavra ganhou socialmente, não a medicamento”, afirma Dayane Titon.
A executiva diz ainda que as fórmulas são segredo industrial, mas incluem extratos naturais como guaraná e catuaba dentro dos limites previstos em lei.
A empresa reforça que apoia o debate sobre possíveis confusões entre alimentos, bebidas e medicamentos e defende consumo responsável.
O lançamento acontece num momento de avanço da Baly no mercado de energéticos.
Dados do painel ScannShare, da Scanntech, enviados pela Baly, mostram que, em 2025, a empresa superou a Red Bull em todos os meses do ano e liderou o mercado nacional em volume de vendas em quatro deles: março, abril, julho e dezembro. Em dezembro, atingiu 34,9% de participação, contra 30,3% da Monster.
A empresa tem quatro parques fabris em Santa Catarina, mais de 1.500 empregos diretos e mais de 30 sabores de energéticos, nove deles sem açúcar. Também atua em cervejas, bebidas proteicas, isotônicos e suplementos vitamínicos infantis, além de exportar para países como Argentina, Paraguai, Estados Unidos e Irã.