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Tudo sobre o primeiro encontro entre Trump e Xi na China desde 2017

Presidentes de China e Estados Unidos discutiram Oriente Médio, Ucrânia, tarifas e Taiwan durante reunião em Pequim

Trump e Xi em Pequim: encontro recoloca temas comerciais e geopolíticos no centro da relação entre EUA e China (Brendan Smialowski - Pool/Getty Images)

Trump e Xi em Pequim: encontro recoloca temas comerciais e geopolíticos no centro da relação entre EUA e China (Brendan Smialowski - Pool/Getty Images)

Publicado em 14 de maio de 2026 às 05h48.

Última atualização em 14 de maio de 2026 às 05h56.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram nesta quinta-feira, em Pequim, o primeiro encontro presencial entre os dois líderes na China desde 2017.A reunião marcou a retomada do diálogo direto entre as duas maiores economias do mundo em meio a disputas comerciais, tensões sobre Taiwan e pressões ligadas ao Oriente Médio.

O encontro ocorreu no Grande Palácio do Povo, na Praça da Paz Celestial, e integrou a visita de Estado de Trump à China. A agenda, inicialmente focada em comércio e tarifas, foi ampliada para incluir temas como a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, o conflito na Ucrânia e a situação na península coreana.

Taiwan dominou parte da reunião

Um dos momentos centrais da cúpula ocorreu quando Xi Jinping alertou Donald Trump sobre a questão de Taiwan, tema considerado prioritário por Pequim.

Segundo o Wall Street Journal, Xi afirmou que qualquer condução inadequada do tema poderia levar a uma “situação extremamente perigosa” para a relação bilateral entre os dois países.

“Se for tratado corretamente, o relacionamento entre os dois países pode manter estabilidade geral. Se for tratado de maneira inadequada, os dois países podem colidir ou até entrar em confronto”, afirmou o líder chinês.

A China considera Taiwan parte de seu território e busca enfraquecer o apoio americano à ilha autônoma. Os Estados Unidos mantêm há décadas uma política ambígua sobre a independência taiwanesa, sem reconhecê-la formalmente, mas preservando apoio militar e político ao governo local.

Trump evitou comentar publicamente as declarações de Xi sobre Taiwan após a reunião.

Irã e Oriente Médio ampliaram pressão sobre a cúpula

A guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos também ganhou espaço nas conversas. Washington busca apoio chinês para pressionar Teerã a aceitar concessões relacionadas ao programa nuclear iraniano e à segurança no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

A China é a principal compradora de petróleo iraniano e mantém relação econômica próxima com Teerã, embora especialistas apontem limitações na capacidade de influência chinesa sobre o governo iraniano.

Antes da viagem, Trump afirmou que teria uma “longa conversa” com Xi sobre o conflito no Oriente Médio. Segundo a agência estatal Xinhua, os dois líderes trocaram opiniões sobre a escalada regional durante a reunião.

Guerra comercial segue sem solução definitiva

Apesar do foco geopolítico, a área econômica permaneceu no centro da cúpula. Os dois governos tentam preservar a trégua comercial negociada no fim do ano passado após uma guerra tarifária que marcou 2025.

Analistas esperam anúncios envolvendo compras chinesas de produtos agrícolas e aeroespaciais americanos, mas avaliam que avanços estruturais na relação comercial ainda devem ser limitados.

Persistem divergências sobre exportação de semicondutores, terras raras, propriedade intelectual e restrições comerciais impostas pelos dois lados.

Trump desembarcou em Pequim acompanhado de executivos de grandes empresas americanas, incluindo Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, além de Tim Cook, da Apple, e Kelly Ortberg, da Boeing. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, se juntou ao grupo durante uma escala no Alasca.

Após o encontro, Musk classificou a reunião como “maravilhosa”, enquanto Huang afirmou que as conversas “foram bem”.

Ucrânia e Coreia do Norte também entraram na pauta

Os presidentes também discutiram a guerra na Ucrânia. Desde o início do conflito, Washington acusa Pequim de fornecer apoio econômico e tecnológico indireto à Rússia, algo negado pelo governo chinês.

A situação na península coreana voltou a aparecer na agenda bilateral devido à proximidade entre a China e a Coreia do Norte. Pequim segue como principal parceiro político e econômico do regime de Pyongyang.

Segundo a Xinhua, Trump e Xi concordaram ainda em apoiar mutuamente a realização da reunião da APEC, marcada para novembro em Shenzhen, e da cúpula do G20, prevista para dezembro em Miami.

Cúpula teve forte aparato diplomático e empresarial

A recepção em Pequim incluiu cerimônia militar, guarda de honra e encontros com integrantes do alto escalão americano, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Trump e Xi também participaram de visita ao Templo do Céu, monumento histórico de Pequim construído no século XV, além de jantar de Estado e reuniões fechadas com autoridades e empresários.

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