Invest

Shell supera projeções em meio à crise no petróleo

Guerra no Oriente Médio elevou preços da energia e impulsionou resultado trimestral da Shell acima das expectativas

Shell: alta do petróleo ajudou a impulsionar lucro. (André Lessa/Exame)

Shell: alta do petróleo ajudou a impulsionar lucro. (André Lessa/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 7 de maio de 2026 às 07h59.

A escalada da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos começou a aparecer com força nos balanços das grandes petroleiras globais, e a Shell mostrou esse impacto nos números do início deste ano.

A companhia britânica fechou o primeiro trimestre com lucro ajustado de US$ 6,92 bilhões, acima do esperado por analistas do mercado, em meio à disparada dos preços do petróleo e do gás natural.

Os números vieram acima das projeções compiladas pela LSEG, divulgadas pela CNBC, que apontavam lucro de US$ 6,1 bilhões. A própria Shell trabalhava internamente com uma estimativa menor, de US$ 6,36 bilhões.

No primeiro trimestre de 2025, o lucro havia sido de US$ 5,58 bilhões. Já no fim do ano, a empresa tinha reportado US$ 3,26 bilhões.

Guerra no Oriente Médio

O avanço da guerra elevou o temor de interrupções mais amplas no fornecimento de petróleo, principalmente por causa da instabilidade no Estreito de Ormuz, responsável por 20% do escoamento do óleo mundialmente.

Com a alta de preços da commodity, margens de grandes empresas como Shell, BP e Exxon vêm sendo beneficiadas. No Brasil, analistas veem o movimento aumentando a força da Prio e Petrobras.

No caso específico da Shell, o CEO Wael Sawan disse que a companhia entregou um trimestre forte, apoiado no desempenho operacional de "um trimestre marcado por uma disrupção sem precedente nos mercados globais de energia."

Dividendos sobem; e a dívida?

Apesar do lucro acima do esperado, a empresa decidiu reduzir o volume destinado à recompra de ações. O programa caiu de US$ 3,5 bilhões para US$ 3 bilhões no trimestre.

Em compensação, a Shell anunciou aumento de 5% nos dividendos pagos aos acionistas, que passaram para US$ 0,3906 por ação.

Outro ponto que chamou atenção do mercado foi o avanço da dívida líquida da companhia. O indicador chegou a US$ 52,6 bilhões ao fim de março, contra US$ 45,7 bilhões registrados no encerramento de 2025.

Para o analista da Quilter Cheviot Investment Management, Maurizio Carulli, ouvido pela CNBC, essa alta na dívida líquida "é provavelmente o único ponto negativo menor."

"Isso se deve, no entanto, principalmente ao efeito no capital de giro. Quando os preços do petróleo estão em alta, há um efeito negativo no valor dos estoques", acrescentou.

Shell expande no Canadá

A Shell também vem ampliando sua estrutura de produção. A empresa anunciou a compra da canadense ARC Resources, em uma operação avaliada em US$ 16,4 bilhões, incluindo dívidas e arrendamentos.

Sawan afirmou que os ativos da ARC têm baixo custo operacional e devem reforçar a capacidade produtiva da Shell por décadas, fortalecendo a presença na região de Montney, no Canadá, que é uma das principais áreas de produção do petróleo de xisto na América do Norte e do gás natural.

Ações caem após balanço

As ações da Shell chegaram a cair 2,9% na bolsa de Londres após a divulgação do balanço. No ano, todavia, a alta é de 15%. Avanço que também é acompanhado por empresas de energia desde o agravamento da guerra no Irã.

Acompanhe tudo sobre:ShellPetróleoBalanços

Mais de Invest

'Guerra abre grande oportunidade no diesel', diz CEO da Petrobras

Natura quer seguir controlando despesas sem deixar de investir

'Estou preocupado com o cenário de consumo', alerta CEO da Natura

Toky, dona da Mobly e Tok&Stok, pede recuperação judicial