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Macron e Meloni propõem coalizão para substituir missão da ONU no Líbano

Nova força multinacional seria criada após o fim da Unifil, previsto para dezembro de 2026, com objetivo de evitar um vazio de segurança na região

Meloni e Macron: apesar das divergências dos líderes, ambos se aproximam mais recentemente devido às políticas de Donald Trump

Meloni e Macron: apesar das divergências dos líderes, ambos se aproximam mais recentemente devido às políticas de Donald Trump

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 25 de junho de 2026 às 20h31.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciaram nesta quinta-feira, 25, a intenção de formar uma coalizão internacional para assumir o papel da força de paz da ONU no Líbano após o encerramento da missão atual. A iniciativa prevê uma presença multinacional que atue em coordenação com as Nações Unidas e a União Europeia.

A proposta foi apresentada por Macron após uma reunião com Meloni em Antibes, no sul da França. Segundo o presidente francês declarou à imprensa, o objetivo é reforçar a soberania do Líbano e apoiar as forças armadas do país, evitando que o território se torne um ponto de instabilidade em meio às tensões regionais.

A primeira-ministra italiana afirmou que França e Itália podem contribuir para a criação do novo modelo e defendeu a manutenção de uma presença internacional para impedir um cenário de insegurança após a saída da atual missão da ONU, prevista para 31 de dezembro deste ano.

O anúncio ocorreu durante um encontro que também buscou ampliar a cooperação entre Paris e Roma em áreas estratégicas, como defesa, energia nuclear e tecnologia espacial.

Apesar de liderarem dois dos principais países da União Europeia, Macron e Meloni tiveram relações marcadas por divergências políticas. O presidente francês é identificado com uma linha centrista e pró-integração europeia, enquanto a primeira-ministra italiana lidera uma coalizão formada por partidos de direita e extrema direita.

Nos últimos meses, porém, os dois governos passaram a buscar maior aproximação. O movimento ocorreu em um momento de distanciamento entre Meloni e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após críticas feitas pelo líder americano à primeira-ministra italiana.

O que é a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)?

Criada em 1978 após a invasão do Líbano por Israel em meio à guerra civil libanesa, é uma missão de paz da ONU composta por cerca de 10 mil militares de 50 países. Tem como principal função garantir que os grupos da região (Hezbollah principalmente) respeitem a chamada Linha Azul, demarcação da ONU para separar os territórios dos dois países, mas que não é oficialmente uma fronteira.

Como missão de paz oficial da ONU, os objetivos da Unifil são definidos pelo Conselho de Segurança da ONU e seu mandato é renovado anualmente - sempre com o pedido libanês.

Com quase 50 anos de atuação, a Unifil é uma das missões de paz mais longevas da história das Nações Unidas, com orçamento de cerca de US$ 474 milhões por ano.

Os capacetes azuis só podem fazer uso da força em legítima defesa ou em algumas hipóteses: impedir que suas instalações sejam usadas para “atividades hostis”, proteger civis, socorristas e funcionários da ONU; garantir a liberdade de ir e vir da população da região, e reagir a tentativas de impedir a missão de cumprir com seu mandato

Os principais países que contribuem com tropas para a Unifil são Indonésia, Itália, Índia, Malásia, França e Espanha. Os Estados Unidos, como principal aliado de Israel, nunca contribuíram com tropas para a missão. Tampouco vetou seu mandato no Conselho de Segurança.

O Brasil tem 11 militares na missão de paz, de acordo com a ONU.

O que muda após o fim da Unifil?

A iniciativa surge após a decisão do Conselho de Segurança da ONU de encerrar o mandato da Unifil em 31 de dezembro de 2026. Atualmente, a UNIFIL reúne cerca de 7.500 militares de aproximadamente 50 países. Apesar da presença da força internacional, a região continuou registrando episódios de conflito ao longo das últimas décadas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que uma presença internacional continuará sendo necessária no Líbano após o término da missão atual. No entanto, uma eventual nova operação pode enfrentar resistência de países como Estados Unidos e Israel.

Para Macron, a nova coalizão teria justamente a função de evitar um período de instabilidade e impedir que o Líbano se transforme em cenário de disputas regionais.

Com AFP

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