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Trump recomenda à Síria que enfrente o Hezbollah e critica ações de Israel no Líbano

Presidente americano defende que a Síria assuma papel contra o Hezbollah no Líbano, apesar da negativa de Damasco sobre qualquer intervenção

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de junho de 2026 às 14h52.

Última atualização em 16 de junho de 2026 às 14h53.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta terça-feira que a Síria tenha um papel direto no enfrentamento ao Hezbollah no Líbano. A declaração foi feita durante sua participação na cúpula do G7, realizada em Evian, na França, poucos dias após o presidente interino sírio, Ahmed al-Sharaa, negar qualquer intenção de intervir no território libanês.

Durante conversa com jornalistas, Trump afirmou ter aconselhado Israel a permitir que Damasco assumisse essa tarefa. Segundo ele, o governo sírio teria mais condições de lidar com o grupo libanês do que as forças israelenses.

"Sugeri a Israel deixar que a Síria lide com o Hezbollah e, sendo sincero, acho que os sírios farão isso melhor", ressaltou.

O presidente americano também voltou a criticar a atuação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no conflito. De acordo com Trump, Israel enfrenta o Hezbollah há um período prolongado e o saldo humano da guerra continua aumentando.

Trump declarou ainda que Netanyahu "precisa ser mais responsável em relação ao Líbano" e afirmou não estar "satisfeito" com a forma como o governo israelense conduz as operações contra o grupo.

Israel e Hezbollah estão em guerra desde 2 de março, em um desdobramento regional do conflito iniciado após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro.

A escalada ocorreu depois que o Hezbollah lançou ataques contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante a ofensiva militar conduzida por Washington e Tel Aviv contra Teerã.

Embora Estados Unidos e Irã tenham chegado a um entendimento para encerrar o conflito e devam formalizar o acordo nesta sexta-feira, na Suíça, permanecem em aberto questões ligadas ao Líbano. Entre elas está o desarmamento do Hezbollah, defendido tanto por Washington quanto por Israel.

Guerra longa entre Israel e Hezbollah

O governo Netanyahu mantém há anos o objetivo de enfraquecer o grupo xiita apoiado pelo Irã, enquanto Teerã continua considerando o Hezbollah parte de seu "eixo da resistência".

Foi nesse contexto que Trump voltou a mencionar Ahmed al-Sharaa como possível agente para enfrentar o movimento libanês. O presidente americano recebeu o líder sírio na Casa Branca em novembro e elogiou sua atuação após a queda de Bashar al-Assad, ocorrida no fim de 2024.

Trump afirmou que Al-Sharaa realiza um "trabalho fantástico" desde que assumiu o poder na Síria. Assad, seu antecessor, mantinha uma relação próxima com o Hezbollah.

"Se Israel não consegue fazer o trabalho (contra o Hezbollah) sem matar todo mundo, então ele (Al-Sharaa) fará o trabalho. A Síria fará o trabalho", enfatizou.

A posição de Trump não é inédita. Em entrevista concedida à NBC, em 7 de junho, o presidente americano já havia sugerido que a Síria poderia ajudar a reduzir a influência militar do Hezbollah.

Na ocasião, ele defendeu operações "mais cirúrgicos" contra o grupo e indicou que Damasco poderia representar uma alternativa à estratégia atualmente adotada por Israel.

"Gostaria de ver um ataque mais cirúrgico contra o Hezbollah. Acho que deveria ser mais cirúrgico. E podemos ajudá-los com isso ou podemos recomendar a Síria", disse à NBC.

Trump também elogiou novamente o líder sírio, afirmando que ele "fez um trabalho realmente bom em pouco tempo" após a derrubada de Assad.

Segundo fontes diplomáticas, a pressão internacional para que a Síria tenha algum papel no conflito aumentou desde a retomada dos confrontos entre Israel e Hezbollah, em março.

Desde que assumiu o comando do país, Al-Sharaa busca afastar a Síria da influência iraniana, rompendo com a política adotada pelo governo Assad. O ex-presidente integrava a comunidade alauita, ligada ao islamismo xiita.

Apesar das especulações, o governo sírio nega qualquer plano de atuação militar em território libanês.

Durante um encontro com mais de 70 líderes locais da província de Damasco, realizado recentemente no palácio presidencial, Al-Sharaa rejeitou as informações que circulam sobre uma possível intervenção. O relato foi feito à AFP por dois participantes da reunião.

Segundo eles, o presidente afirmou que "o que está sendo divulgado sobre a entrada da Síria no Líbano não passa de rumores".

Posteriormente, o porta-voz do Ministério do Interior da Síria, Noureddine al-Baba, declarou que Damasco apoia o presidente do Líbano, Joseph Aoun, nos esforços para preservar a segurança e a soberania do país. Ele acrescentou que qualquer eventual participação síria dependeria de coordenação prévia com Beirute.

A hipótese de uma nova presença militar síria no Líbano carrega um peso histórico. Entre 1976 e 2005, tropas de Damasco permaneceram em território libanês após uma intervenção ordenada por Hafez al-Assad durante a guerra civil do país.

Ao longo do governo da família Assad, a Síria manteve uma aliança estreita com o Hezbollah. O grupo participou da guerra civil síria ao lado das forças governistas. Essa relação mudou após a chegada de Al-Sharaa ao poder, em 2024, quando as novas autoridades sírias passaram a adotar uma posição de enfrentamento ao movimento xiita.

Mesmo descartando uma intervenção no Líbano, o governo sírio ampliou os contatos com Washington nos últimos meses. Após a queda de Assad, os Estados Unidos suspenderam sanções contra a Síria e retomaram relações diplomáticas com Damasco.

Em novembro de 2025, Trump recebeu Al-Sharaa na Casa Branca. O encontro foi o primeiro entre líderes dos dois países desde a independência síria, em 1946. Fontes diplomáticas afirmam ainda que o presidente sírio recebeu recentemente um novo convite para visitar os Estados Unidos.

*Com informações da Agência AFP. 

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