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Francês repatriado de cruzeiro com hantavírus apresenta sintomas

Primeiro-ministro disse que os cinco passageiros do cruzeiro MV Hondius foram colocados 'imediatamente em isolamento estrito até segunda ordem' como medida de precaução sanitária

Cruzeiro MV Hondius: passageiros repatriados serão submetidos a exames diagnósticos durante quarentena no hospital Bichat (AFP/JORGE GUERRERO/Divulgação)

Cruzeiro MV Hondius: passageiros repatriados serão submetidos a exames diagnósticos durante quarentena no hospital Bichat (AFP/JORGE GUERRERO/Divulgação)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 11 de maio de 2026 às 06h44.

Um dos cinco cidadãos franceses repatriados neste domingo, 10, da Espanha após viajar no cruzeiro MV Hondius, identificado como um foco de infecção por hantavírus, apresenta sintomas compatíveis com a doença, informou o primeiro-ministro da França, Sébastian Lecornu.

"Cinco de nossos compatriotas presentes no MV Hondius, foco de infecção por hantavírus, foram repatriados ao território nacional. Um deles apresentou sintomas no avião de repatriação", anunciou Lecornu em uma mensagem em suas redes sociais.

Em sua chegada ao território francês na tarde de hoje, os cinco passageiros foram colocados "imediatamente em isolamento estrito até segunda ordem" como medida de precaução sanitária, acrescentou o premiê.

Lecornu detalhou que os cinco recebem atendimento médico e serão submetidos a exames diagnósticos, bem como a uma avaliação sanitária completa durante sua quarentena no hospital Bichat, situado no 18º distrito de Paris.

Além disso, anunciou, a assinatura hoje mesmo de um decreto destinado a ativar um dispositivo de isolamento específico para os casos de contato, com o objetivo de proteger a população em geral.

Quarentena de seis semanas

Diante deste caso "potencial" de hantavírus, as autoridades francesas decidiram aplicar uma quarentena de seis semanas para os cinco franceses, indicou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, em entrevista ao telejornal da rede de televisão pública "France 2", na qual detalhou a situação epidemiológica e as medidas adotadas pelo governo.

"Consideramos que, dado que a incubação é bastante longa, pois dura seis semanas, devemos romper esta cadeia de transmissão desde o início", declarou Rist.

A ministra explicou que as autoridades aguardam os resultados dos testes PCR e das análises genéticas, que estarão disponíveis nas próximas 24 horas, para determinar se se trata efetivamente de uma infecção por hantavírus, uma cepa já conhecida pela comunidade científica e associada anteriormente a surtos registrados na Argentina.

Segundo explicou Rist, o período de incubação do vírus pode se estender por até seis semanas, embora os sintomas costumem aparecer durante os primeiros 15 dias. Por isso, o governo francês decidiu aplicar "as medidas mais rigorosas da Europa" neste caso para evitar uma eventual cadeia de transmissão.

Os cinco cidadãos permanecerão inicialmente isolados no hospital Bichat, onde serão submetidos a exames médicos e controles epidemiológicos antes da definição das condições do isolamento prolongado, fixado em 42 dias.

Além dos cinco franceses que navegaram no Hondius, as autoridades sanitárias francesas também identificaram outras oito pessoas que voaram no mesmo avião que uma das primeiras vítimas do surto, a esposa do casal holandês que morreu pelo vírus (ela em Joanesburgo, na África do Sul, e ele no navio).

Esses oito casos classificados como de contato foram submetidos a exames diagnósticos, cujos resultados deram negativo, apesar de um deles ter apresentado sintomas leves, mas continuarão em isolamento preventivo, disse a ministra.

"Estas pessoas foram identificadas, foram submetidas a exames, seus resultados são negativos e, sobretudo, estão em isolamento, estão isoladas, e isso é muito importante. Repito: é realmente no início que se deve agir", ressaltou.

Rist enfatizou que este vírus "não é comparável à covid-19", embora entenda a preocupação do público devido à experiência da pandemia.

A titular da Saúde lembrou que a cepa andina do hantavírus foi estudada após epidemias ocorridas na Argentina e que existem pesquisas científicas prévias sobre seus mecanismos de transmissão, que exigiriam contato próximo e poderiam ocorrer por via aérea em proximidade entre as pessoas.

A ministra assegurou, além disso, que a França dispõe de reservas suficientes de máscaras e capacidade de diagnóstico por meio de testes PCR realizados pelo Instituto Pasteur.

No entanto, admitiu que atualmente não existe uma vacina aprovada contra o hantavírus, embora as pesquisas continuem em fases iniciais.

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