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O que é o hantavírus, vírus que causou mortes em cruzeiro?

Vírus transmitido por roedores silvestres pode causar quadro respiratório grave e já soma milhares de casos no Brasil

Hantavírus: doença é transmitida por roedores silvestres e pode ser fatal (Yuichiro Chino/Getty Images)

Hantavírus: doença é transmitida por roedores silvestres e pode ser fatal (Yuichiro Chino/Getty Images)

Publicado em 6 de maio de 2026 às 06h39.

Casos recentes de hantavírus, incluindo mortes registradas em um cruzeiro no Atlântico, reacenderam o alerta para uma doença ainda pouco conhecida fora de áreas rurais. O vírus, transmitido principalmente por roedores silvestres, pode provocar uma infecção grave e com alta taxa de mortalidade.

Segundo autoridades de saúde, a hantavirose pode evoluir rapidamente e comprometer pulmões e coração, exigindo atendimento médico imediato.

O que é o hantavírus?

O hantavírus pertence ao gênero Orthohantavirus e é o agente causador da hantavirose. Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, considerada a mais grave.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a taxa de mortalidade pode chegar a cerca de 40% dos casos, sobretudo quando há evolução para insuficiência respiratória.

Como ocorre a transmissão?

A principal forma de contágio do hantavírus ocorre pelo contato com secreções de roedores silvestres, como urina, fezes e saliva. A infecção geralmente acontece quando partículas contaminadas são inaladas, principalmente em ambientes fechados ou pouco ventilados.

Atividades como varrer locais infestados, limpar depósitos ou frequentar áreas naturais aumentam o risco. Diferentemente de doenças urbanas, como a leptospirose, o hantavírus está mais associado a ratos do campo.

Em situações raras, pode haver transmissão entre pessoas, sobretudo em casos ligados à cepa Andes, identificada na América do Sul.

Quais são os sintomas do hantavírus?

Os primeiros sintomas costumam surgir entre três e cinco dias após a infecção e podem ser confundidos com uma gripe.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Febre alta,
  • Dor de cabeça,
  • Dores musculares,
  • Náusea, vômito e diarreia,
  • Dor abdominal.

A fase mais grave pode surgir rapidamente, em questão de horas, com sintomas respiratórios intensos, como:

  • Falta de ar,
  • Respiração acelerada,
  • Queda da pressão arterial,
  • Acúmulo de líquido nos pulmões.

Nessa etapa, o paciente pode precisar de internação em unidade de terapia intensiva.

Hantavírus no Brasil

O Brasil registra casos da doença desde a década de 1990. Entre 1993 e 2024, foram contabilizados mais de 2.300 casos, com centenas de mortes, segundo dados do Ministério da Saúde.

A maioria das ocorrências está concentrada em áreas rurais, responsáveis por cerca de 70% dos registros. No entanto, mudanças ambientais, como desmatamento e expansão urbana, têm ampliado o risco de contato com o vírus.

Como se prevenir do hantavírus?

A prevenção é a principal forma de proteção, já que não há vacina disponível nas Américas. As medidas recomendadas incluem:

  • Evitar contato com roedores silvestres e seus ninhos;
  • Manter alimentos bem armazenados e protegidos;
  • Vedar frestas e possíveis entradas de ratos em casas e galpões;
  • Manter quintais e terrenos limpos, sem lixo ou entulho;
  • Lavar as mãos com frequência, especialmente após atividades externas;
  • Higienizar embalagens e alimentos antes do consumo;
  • Que cuidados tomar ao limpar locais contaminados.

Em ambientes com possível presença de roedores, a limpeza deve ser feita com cautela para evitar a inalação do vírus:

  • Ventilar o local por pelo menos 30 minutos antes de entrar;
  • Não varrer nem usar aspirador, para não espalhar partículas no ar;
  • Utilizar luvas de borracha ou plástico durante a limpeza;
  • Aplicar solução de água sanitária (1 parte para 10 de água) ou detergente;
  • Descartar corretamente materiais contaminados.

Como não há tratamento específico para a doença, a prevenção continua sendo a principal forma de proteção contra o hantavírus.

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