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EUA fecham brecha que poderia levar chips da Nvidia à China; entenda

Governo americano endurece regras para impedir que subsidiárias chinesas no exterior tenham acesso a semicondutores avançados de IA

Nos últimos anos, Washington vem ampliando as restrições sobre a venda de chips e equipamentos de fabricação de semicondutores para tentar limitar o avanço chinês em áreas consideradas estratégicas

Nos últimos anos, Washington vem ampliando as restrições sobre a venda de chips e equipamentos de fabricação de semicondutores para tentar limitar o avanço chinês em áreas consideradas estratégicas

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 31 de maio de 2026 às 17h36.

O governo dos Estados Unidos adotou novas medidas para reforçar as restrições à exportação de chips avançados de inteligência artificial e impedir que empresas chinesas continuem acessando essas tecnologias por meio de subsidiárias instaladas fora da China.

O Departamento de Comércio dos EUA publicou novas diretrizes no domingo, 31, esclarecendo que as exigências de licenciamento para exportação de semicondutores de ponta também se aplicam a empresas chinesas que operam em outros países.

A mudança fecha uma brecha regulatória criada há cerca de um ano, quando o governo Trump decidiu não implementar integralmente uma regra de controle de exportações elaborada nos últimos dias da administração Biden. Na prática, essa lacuna poderia ter permitido que subsidiárias estrangeiras de grupos chineses adquirissem alguns dos chips mais avançados do mercado, incluindo os processadores Blackwell e Rubin, da Nvidia, e o MI350X, da AMD.

A preocupação de Washington é que esses componentes sejam utilizados para acelerar o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial considerados estratégicos. Os chips estão entre os mais sofisticados do mundo e são fundamentais para o treinamento de grandes modelos de IA.

Embora não haja dados oficiais sobre o volume de exportações realizadas nesse período, uma fonte da indústria de semicondutores ouvida pela Reuters estimou que centenas de milhares de unidades podem ter sido comercializadas por meio dessa rota.

O tema ganhou atenção após especialistas apontarem que empresas chinesas poderiam estar adquirindo os chips por meio de subsidiárias estabelecidas em países como a Malásia, contornando as restrições impostas diretamente à China.

Chris McGuire, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA e especialista em tecnologia, classificou a situação como um problema relevante. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a brecha permitia que subsidiárias estrangeiras de companhias chinesas comprassem chips Blackwell da Nvidia sem necessidade de licença específica. Na avaliação dele, as aquisições podem ter ocorrido em grande escala.

As novas orientações, no entanto, não afetam equipamentos já instalados. Segundo o Departamento de Comércio, centros de dados e operadores de infraestrutura tecnológica poderão continuar utilizando e realizando manutenção em servidores e sistemas que já contenham os semicondutores avançados.

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