Hantavírus: variante Andes, identificada nos casos ligados ao MV Hondius, é a única conhecida até hoje com possibilidade de transmissão entre humanos (Alexander Romanovskiy/Oceanwide Expeditions/Divulgação)
Repórter
Publicado em 11 de maio de 2026 às 07h11.
A França confirmou nesta segunda-feira, 11, o primeiro caso positivo de hantavírus relacionado ao surto registrado a bordo do cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Atlântico. A paciente é uma das cinco francesas evacuadas das Ilhas Canárias para Paris no domingo, após apresentar sintomas durante o voo de repatriação.
Segundo a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, o estado de saúde da mulher piorou durante a noite. Ela foi internada em um hospital de Paris junto aos outros quatro passageiros franceses repatriados. Os demais testaram negativo para hantavírus, mas permanecerão hospitalizados por pelo menos 15 dias.
O governo francês informou ainda que 22 pessoas consideradas contatos próximos foram colocadas em isolamento. Entre elas estão passageiros que compartilharam voos entre Santa Helena, Joanesburgo e Amsterdã com pessoas infectadas.
As autoridades de saúde dos Estados Unidos informaram que um dos 17 americanos repatriados das Canárias testou positivo em um exame de PCR para o vírus dos Andes. Outro passageiro apresenta sintomas leves compatíveis com a doença.
Segundo o Departamento de Saúde dos EUA, os dois viajavam em uma aeronave equipada com unidades de biocontenção por precaução. Ambos serão encaminhados ao Centro Médico da Universidade de Nebraska, especializado no tratamento de patógenos emergentes.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) já haviam anunciado na sexta-feira que os 17 passageiros americanos seriam colocados em isolamento em Nebraska após a chegada ao país.
O navio MV Hondius transportava 147 passageiros e tripulantes em uma viagem iniciada em Ushuaia, na Argentina, com passagem por diversas ilhas do Atlântico. Durante o trajeto, surgiram casos de hantavírus associados à variante Andes, considerada a única cepa conhecida com potencial de transmissão entre pessoas. Até o momento, o surto já provocou três mortes.
Os passageiros desembarcaram nas Ilhas Canárias no fim de semana, e diferentes países iniciaram operações de repatriação e quarentena de seus cidadãos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que os passageiros e tripulantes do cruzeiro permaneciam, em sua maioria, sem sintomas, mas recomendou um período de monitoramento de até 42 dias, já que o hantavírus pode levar até seis semanas para se manifestar.
A chefe da unidade de doenças emergentes da OMS, Diana Rojas, afirmou que manter os passageiros confinados no navio por tanto tempo “não seria humano” devido ao impacto psicológico da medida.
Segundo ela, o uso de máscaras N95 e higiene frequente das mãos são considerados suficientes porque o vírus não apresenta facilidade de transmissão semelhante à da covid-19.
Rojas também afirmou que o surto registrado no cruzeiro representa um caso inédito de estudo para autoridades sanitárias internacionais, mas descartou que a situação possa ser considerada uma pandemia.
O hantavírus é uma doença viral que pode causar febre hemorrágica e complicações respiratórias graves. A variante Andes, identificada nos casos ligados ao MV Hondius, é a única conhecida até hoje com possibilidade de transmissão entre humanos.
As autoridades sanitárias seguem monitorando os passageiros do cruzeiro, que reúne pessoas de 23 nacionalidades.
*Com informações de EFE