MV Hondius: navio faz rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde (Alexander Romanovskiy/Oceanwide Expeditions/Divulgação)
Publicado em 9 de maio de 2026 às 11h15.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou neste sábado, 9, uma operação internacional para evacuar os passageiros do cruzeiro MV Hondius após a confirmação de novos casos de hantavírus a bordo.
O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajou às Ilhas Canárias, na Espanha, para acompanhar pessoalmente a chegada da embarcação e coordenar o desembarque dos ocupantes.
O navio, operado pela companhia holandesa Oceanwide Expeditions, segue em direção à ilha de Tenerife, onde deve chegar neste domingo.
A expectativa é que passageiros e tripulantes sejam retirados em voos especiais organizados por diferentes governos, incluindo os Estados Unidos, que já anunciaram uma operação para repatriar seus cidadãos.
Segundo a OMS, a prioridade da operação é acelerar o monitoramento médico dos viajantes e reduzir o risco de novos casos relacionados à cepa Andes do hantavírus, considerada a única variante conhecida com possibilidade de transmissão limitada entre humanos.
Até este sábado, nenhum passageiro ou tripulante ainda a bordo apresentava sintomas ativos da doença, informou a organização.
O novo boletim epidemiológico divulgado pela OMS confirmou seis casos laboratoriais de hantavírus ligados ao cruzeiro, além de dois casos considerados prováveis. Um teste PCR positivo divulgado neste sábado elevou o total oficial de infecções confirmadas.
O MV Hondius transportava cerca de 150 pessoas de mais de 20 países e partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, no início de abril.
Paraná tem dois casos confirmados de hantavírus
Desde o surgimento dos primeiros casos, autoridades sanitárias passaram a rastrear passageiros, tripulantes e contatos próximos em diferentes países.
A evacuação também virou uma corrida contra o tempo por causa das condições climáticas nas Canárias.
Segundo autoridades locais, existe uma janela limitada para realizar o desembarque antes da mudança no clima marítimo da região. O navio recebeu autorização apenas para ancorar próximo ao porto de Tenerife, sem atracação completa.
A OMS mantém uma resposta coordenada envolvendo rastreamento internacional de contatos, isolamento de casos suspeitos, exames laboratoriais e acompanhamento clínico dos passageiros.
Apesar da mobilização global, a entidade classificou o risco para a população em geral como baixo.
Além da retirada dos passageiros, autoridades sanitárias seguem acompanhando pessoas que tiveram contato com infectados durante a viagem ou em voos internacionais relacionados ao surto.
A OMS informou que monitora passageiros que deixaram o navio em escalas anteriores, como Santa Helena e Cabo Verde.
Na Espanha, uma mulher foi hospitalizada em Valência após apresentar sintomas compatíveis com hantavírus depois de viajar em um voo ligado ao caso.
Já testes realizados em passageiros monitorados em Singapura e em uma comissária da companhia aérea KLM deram negativo para a doença.
Até agora, o surto ligado ao MV Hondius soma três mortes e seis casos confirmados. As investigações continuam para determinar onde ocorreu o primeiro contágio e se a infecção começou antes do embarque no cruzeiro.
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes. A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.
O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.
Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, o atendimento médico é baseado no cuidado dos sintomas da doença.