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China e EUA avançam em acordo para reduzir tarifas em comércio

Acordo inclui retomada de exportações de carne dos EUA e compra de 200 aeronaves da Boeing

China-EUA: acordo prevê redução de tarifas e retomada de negociações bilaterais entre as duas potências globais. (Kenny Holston / POOL / AFP )

China-EUA: acordo prevê redução de tarifas e retomada de negociações bilaterais entre as duas potências globais. (Kenny Holston / POOL / AFP )

Publicado em 20 de maio de 2026 às 06h59.

A China e os Estados Unidos avançaram em um entendimento para reduzir tarifas que incidem sobre dezenas de bilhões de dólares em comércio bilateral, segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio chinês.

O anúncio ocorre após uma nova rodada de negociações entre as duas maiores economias do mundo e poucos dias depois da visita do presidente dos EUA, Donald Trump, a Pequim.

O movimento sinaliza uma tentativa de estabilização das relações comerciais após meses de tensão e disputa tarifária ao longo de 2025, período em que Washington e Pequim ampliaram restrições cruzadas sobre importações estratégicas.

De acordo com o governo chinês, os dois países concordaram em princípio em discutir uma estrutura de acordo voltada à redução proporcional de tarifas sobre bens de escala equivalente. A proposta faz parte de um novo conselho comercial criado após a mais recente cúpula entre as partes.

O comunicado indica que as reduções devem envolver mercadorias avaliadas em pelo menos US$ 30 mil para cada lado, sem detalhar quais setores serão priorizados.

Pequim também afirmou esperar que os Estados Unidos cumpram os compromissos assumidos nas negociações recentes e defendeu a prorrogação da trégua comercial estabelecida no ano passado.

Agricultura e aviação entram no centro das concessões

Entre os desdobramentos do acordo, o Ministério do Comércio chinês informou que irá reativar registros de alguns exportadores de carne bovina dos EUA, que haviam expirado no auge das tensões comerciais.

O movimento abre espaço para a retomada parcial das exportações do setor agropecuário americano para o mercado chinês, um dos mais relevantes para a indústria de carnes dos EUA.

No setor de aviação, Pequim confirmou a compra de 200 aeronaves da fabricante norte-americana Boeing. O governo chinês não detalhou os modelos envolvidos na negociação.

A imprensa dos Estados Unidos indica que o pacote poderia incluir cerca de 500 aeronaves 737 MAX, além de aproximadamente 100 unidades dos modelos 787 Dreamliner e 777.

Terras raras seguem como ponto sensível da negociação

Outro eixo central das tratativas envolve o fornecimento de terras raras, insumo estratégico dominado pela China e essencial para setores como tecnologia e defesa.

O país asiático impôs restrições mais rígidas às exportações desses materiais no ano passado, o que elevou a pressão sobre cadeias globais de suprimento.

Segundo o comunicado, os dois lados vão “trabalhar juntos para estudar e resolver preocupações legítimas e legais”, sem detalhar mecanismos ou prazos para eventual flexibilização.

*Com AFP

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