Budweiser no Lollapalooza: marcando presença no festival desde 2018, a cerveja mira na sua estratégia de marketing a ponte entre o público brasileiro e fenômenos internacionais (Budweiser/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 20 de março de 2026 às 05h47.
A Budweiser é uma cerveja que, no marketing, opera entre a tradição e o hype.
Completando 150 anos em 2026, a norte-americana chegou de forma plena ao Brasil em 2011, três anos depois da InBev comprar a marca. Antes, a marca era encontrada em locais específicos, como o Walmart, que deixou o país em 2019.
A aquisição da fabricante Anheuser-Busch, responsável pela Budweiser e líder de vendas nos EUA, custou US$ 52 bilhões e transformou a empresa belgo-brasileira na maior cervejeira do mundo.
Na época, a notícia não foi bem recebida por figuras de peso, como o então candidato a presidente dos EUA, Barack Obama, que declarou que seria "uma vergonha se estrangeiros se tornarem donos da Bud".
Quinze anos depois, a Budweiser é uma das marcas de cerveja mais associadas ao público jovem no Brasil, de acordo com Mariana Santos, diretora de marketing da cervejaria.
Parte importante da estratégia de marketing da Budweiser é a presença em megaeventos com apelo internacional, como o Lollapalooza Brasil 2026, que ocorre nesta semana - da sexta a domingo -, e a Copa do Mundo FIFA 2026. "A Bud é uma janela do mundo para o brasileiro", diz Mariana Santos. "A gente quer mostrar para o brasileiro o que de legal está rolando lá fora, assim como trazer experiências legais de fora para cá."
Com raízes no indie rock, que até hoje é parte importante da identidade do evento, o Lollapalooza chegou ao Brasil em 2012 com dois dias de shows e um line-up que trouxe Arctic Monkeys, Foo Fighters, MGMT, Calvin Harris e outros nomes que marcaram presença no Jockey Club paulista.
Em 2014, o Lollapalooza Brasil trocou de endereço e de cerveja oficial. Na primeira edição no Autódromo de Interlagos, a Skol se tornou a primeira marca da Ambev a patrocinar o festival, que contou com shows de Nine Inch Nails, Imagine Dragons, Pixies, New Order e Lorde. A marca se manteve como patrocinadora nas próximas três edições.
Após seis anos no país, o Lolla teve diversas transformações em sua edição de 2018. A primeira foi a duração, com o evento indo de dois dias para três dias. Outra mudança foi a cerveja oficial: a Budweiser firmou seu patrocínio ao festival, que perdura até hoje.
A ação, para a cerveja, não era tão nova assim, pois a marca já era patrocinadora do primeiro Lollapalooza de Chicago, realizado em 1991. "É muito natural a escolha da Bud por um evento internacional e de grande porte como o Lollapalooza. Justamente por causa desse legado que a gente já tem, por causa dessa história", diz Mariana Santos.
Ao escolher quais artistas e festivais patrocinar, a Budweiser pensa menos em gênero musical e mais em relevância global.
"Como a Bud é uma marca internacional, é uma estratégia pensada em artistas que a gente pode estar junto não só no Brasil, mas no mundo todo", afirma a diretora de marketing. "Esse ano, o Lolla tem a Sabrina Carpenter, a Chappell Roan, o Tyler, The Creator, que são nomes super em alta no mundo todo. Isso pra gente é uma indicação de que a gente precisa estar junto desse artista. A gente sempre tenta trazer esse olhar do internacional para cá, mas aproximando da realidade do fã brasileiro."
Para a marca, estar no Lolla vai além do costume e das métricas de awareness. "Ele é um festival que mexe com a cultura, que vira assunto, e não é todo evento que tem esse potencial", diz a Mariana. "A pessoa está tendo uma lembrança boa, vendo o seu artista favorito, curtindo com seus amigos, e está com uma Bud na mão. Isso tem um tipo de conexão muito genuína."
Outra frente do marketing no Lollapalooza são as ativações, que esse ano incluem a Bud Mixtape Factory: cabines de gravação onde os fãs irão soltar a voz e registrar mensagens curtas em um mini gravador exclusivo, que resgata a estética das clássicas fitas K7.
Nos megaeventos esportivos, a história da Budweiser é mais longa ainda.
A marca patrocina a Copa do Mundo da FIFA desde 1986. Em 2026, com a competição sendo realizada em três países, na maior edição da história do torneio, a estratégia da marca mantém um olhar que pode ser polêmico para alguns torcedores: menos futebol, mais celebração.
Outras marcas da Ambev também atuam na Copa do Mundo, sobretudo no mercado brasileiro. Porém, enquanto Brahma e Guaraná Antarctica, operam sob um viés de orgulho nacional, na opinião da diretora de marketing, a Budweiser aposta na festa global.
"A gente quer mostrar para o brasileiro que ele realmente sabe torcer e curtir de uma forma diferente", explica Mariana. "O que a gente quer falar é dessa comemoração compartilhada, dessa felicidade que é muito específica da energia de Copa do Mundo."
Detalhes das ações previstas ainda estão sob sigilo. Ssegundo a diretora, as novidades começam a ser divulgadas em abril, mas a promessa é de ativações tanto no Brasil quanto no exterior, conectando o público local ao clima global do torneio.
Nos esportes, além da Copa do Mundo, a Budweiser também patrocina a NFL no Brasil. O jogo da liga no Rio de Janeiro, previsto para setembro de 2026, é outro pilar da estratégia esportiva da marca no país neste ano.
A lógica é a mesma: eventos de caráter global que reforçam o posicionamento da marca. "Estamos na Copa do Mundo que está acontecendo lá fora, mas também no jogo da NFL que acontece no Brasil", resume Mariana.
Se nos megaeventos a Budweiser já tem presença consolidada, nos bares brasileiros o nome é menos corriqueiro. Agora, a estratégia da marca é a expansão nesse espaço.
Quem circula por São Paulo tem visto cada vez mais o logo da marca em bares tradicionais como o Beco da USP, o que não é coincidência. "A marca ainda está muito conectada, na cabeça do consumidor, a um consumo individual, à latinha", explica Mariana. "A gente tem a garrafa de 600 ml, a gente tem o litro, mas muitas vezes ainda não é intuitivo para o consumidor pedir isso no bar."
"Bud é uma marca que já tem uma conexão com o público mais jovem do que outras marcas de cerveja. Então é natural a gente estar onde esse público transita", diz a diretora.
Diferente dos contratos formais com festivais e eventos, a estratégia nos bares passa pelo time de vendas e pelas regionais da marca — uma camada mais capilar da operação, que complementa a visibilidade conquistada nos grandes palcos.
Segundo Mariana, a estratégia vai do macro ao micro: dos megaeventos internacionais ao balcão do bar.