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Petróleo sobe 3% com guerra no Irã e risco à oferta global

Fechamento do Estreito de Ormuz, queda na produção dos Emirados Árabes e ataques elevam tensões e pressionam preços

Petróleo: contratos futuros do Brent subiram 3,1%, para US$ 103,28 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 3,6%, a US$ 96,85. (Montagem/Canva/Exame)

Petróleo: contratos futuros do Brent subiram 3,1%, para US$ 103,28 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 3,6%, a US$ 96,85. (Montagem/Canva/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 17 de março de 2026 às 06h40.

Os preços do petróleo subiam nesta terça-feira, 17, impulsionados pelo agravamento da guerra no Oriente Médio e pelos temores em torno do fluxo no fornecimento global.

Os contratos futuros do tipo Brent operavam em alta de 2,77% às 6h40, no horário de Brasília, cotado a US$ 103, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 3,6%, a US$ 96,85.

O movimento é uma recuperação após as perdas da sessão anterior, quando o alívio momentâneo com a passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz levou à queda das cotações.

O cenário, porém, voltou a se deteriorar diante da intensificação do conflito entre Irã, Estados Unidos (EUA) e Israel, que já se estende por três semanas, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

Estreito de Ormuz amplia risco

Responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado, elevando a percepção de risco nos mercados.

Aliados dos EUA rejeitaram, neste cenário, o apelo do presidente Donald Trump para o envio de navios de guerra que pudessem escoltar petroleiros na região, segundo fontes à agência.

A recusa aumentou a incerteza e reforçou o temor de novos incidentes.

O analista de mercado da IG, Tony Sycamore, afirmou que os riscos permanecem altos e que qualquer ação de milícias iranianas, como ataques com mísseis ou instalação de minas em embarcações, pode intensificar a crise.

Já a analista sênior de mercado da Phillip Nova, Priyanka Sachdeva, disse que os investidores estão concentrados na duração da guerra, nas interrupções e nos possíveis danos à infraestrutura petrolífera da região do Golfo.

Produção afetada e preços recordes

Os Emirados Árabes Unidos — terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — reduziram sua produção em mais da metade devido às restrições logísticas.

Além disso, operadores relataram à Reuters que um incêndio na Zona Industrial de Petróleo de Fujairah, causado por um ataque de drone durante o pregão asiático, contribuiu para sustentar os preços.

Os preços de referência do petróleo do Oriente Médio atingiram máximas históricas, superando os níveis observados em benchmarks globais como o Brent, que era negociado acima de US$ 103 por barril.

Pressão inflacionária e internacional

A tendência de alta pode se intensificar no curto prazo. O analista sênior de mercado da OANDA, Kelvin Wong, afirmou que o WTI pode alcançar níveis próximos a US$ 124 por barril até o fim de março.

Diante da escalada dos preços e do risco de pressão inflacionária global, a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia medidas adicionais para conter os custos energéticos.

O chefe da entidade indicou que os países membros podem liberar mais petróleo, além dos 400 milhões de barris já previstos para retirada de reservas estratégicas.

Sem perspectiva imediata de resolução, o conflito segue como principal vetor de volatilidade.

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