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Citi vê alta limitada para Petrobras; JP aposta em caixa e vê ação barata

Bancos têm visões distintas sobre a estatal em meio ao choque do petróleo

Petrobras: Citi eleva preço-alvo, mas ainda não recomenda compra (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Petrobras: Citi eleva preço-alvo, mas ainda não recomenda compra (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Publicado em 9 de abril de 2026 às 16h12.

A alta recente do petróleo no mercado internacional levou o Citi a revisar para cima suas estimativas para a Petrobras. O banco elevou o preço-alvo dos ADRs para US$ 19,5 e das ações preferenciais (PETR4) para R$ 49 — ante US$ 15 e R$ 37 anteriormente.

O movimento reflete um cenário de Brent acima de US$ 100 por barril no curto prazo, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio. Ainda assim, a leitura do Citi é cautelosa: embora veja a ação negociando com desconto em relação a pares globais, o banco não enxerga gatilhos suficientes para recomendar compra.

Na prática, a Petrobras captura apenas parte dessa alta. Segundo o Citi, cerca de 0,9 milhão de barris por dia — de um total de 2,5 milhões — estão expostos ao mercado internacional via exportações. No mercado doméstico, a tendência de preços mais estáveis para diesel e gasolina limita o repasse imediato e, consequentemente, o potencial de ganho adicional.

Essa visão mais moderada contrasta com a leitura do JP Morgan, que adota um tom mais construtivo. Para o banco, o principal diferencial da Petrobras está na força da geração de caixa, sustentada pelas operações de exploração e produção, que respondem por até 95% do Ebitda.

Segundo o JP, a sensibilidade ao petróleo é significativa: uma variação de US$ 10 no barril pode gerar impacto de cerca de US$ 6 bilhões no EBITDA. Esse efeito, na visão do banco, mais do que compensa pressões como aumento de impostos e reforça a capacidade da companhia de sustentar resultados robustos.

Mesmo considerando um cenário mais conservador para o petróleo — com Brent a US$ 85 em 2026 e US$ 75 em 2027 —, o JP vê retornos atrativos, com fluxo de caixa livre na casa de 11% a 12% e dividend yield próximo de 9%. Nesse contexto, o banco mantém recomendação overweight e avalia a recente queda das ações como oportunidade de entrada.

Dividendos ainda altos, mas sob pressão

O Citi também reconhece a atratividade da Petrobras na distribuição de proventos. A projeção é de dividend yield entre 12% e 18% em 2026, um dos mais elevados do mercado.

Esse patamar, porém, pode não se sustentar. Segundo o banco, o aumento de investimentos (capex) e possíveis aquisições podem consumir parte relevante do caixa, reduzindo o espaço para dividendos elevados nos próximos anos.

A leitura conversa, em parte, com o JP Morgan, que também incorpora em suas estimativas mudanças no cenário operacional, como impostos sobre exportação e margens menores no downstream. Ainda assim, o banco americano entende que, mesmo com esses ajustes, a geração de caixa segue sólida o suficiente para sustentar a tese.

Risco político e cenário macro

Outro ponto de atenção destacado pelo Citi é o risco político. A influência do governo sobre a estratégia da Petrobras pode levar a decisões menos orientadas ao retorno do acionista, como controle de preços ou mudanças na alocação de capital — fator que ajuda a explicar o desconto das ações.

Por outro lado, o próprio cenário macro pode jogar a favor. O JP destaca que, em um eventual recuo do petróleo, o efeito pode ser parcialmente compensado por um ambiente de inflação mais baixa e retomada do ciclo de queda de juros no Brasil, o que tende a beneficiar ativos relevantes no índice, como a Petrobras.

Além disso, o Citi aponta um possível vetor adicional: o cenário eleitoral. As ações poderiam reagir positivamente a um aumento nas chances de vitória de um candidato mais alinhado ao mercado, dado o potencial de mudanças na estratégia da companhia.

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