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EUA podem exportar 5 milhões de barris de petróleo por dia com Ormuz bloqueado

Alta da demanda asiática para compensar perdas de oferta no Oriente Médio impulsiona embarques da Costa do Golfo norte-americana, enquanto limitações logísticas podem barrar aumento de compras da commodity

Petróleo americano: demanda puxada por refinarias asiáticas (Getty Images/Getty Images)

Petróleo americano: demanda puxada por refinarias asiáticas (Getty Images/Getty Images)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 9 de abril de 2026 às 16h02.

As exportações de petróleo bruto dos Estados Unidos devem atingir cerca de cinco milhões de barris por dia em maio, um novo recorde histórico, à medida que compradores asiáticos ampliam compras para compensar as perdas de oferta do Oriente Médio com o Estreito de Ormuz bloqueado.

Em abril, os embarques já se aproximaram de cerca de 4,9 milhões de barris por dia, acima dos 3,97 milhões registrados em março. Segundo a Bloomberg, analistas esperam avanço adicional no próximo mês com o aumento do número de superpetroleiros do tipo VLCC operando na Costa do Golfo norte-americana.

Com a guerra na região persistindo apesar de um cessar-fogo considerado frágil, compradores globais enfrentam a pior disrupção da história no mercado de energia. A demanda adicional tem sido puxada principalmente por refinarias asiáticas em busca de barris alternativos diante das restrições ligadas ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Nesse contexto, as exportações norte-americanas têm sido fundamentais para preencher parte do vazio deixado pela oferta regional, enquanto a política de “dominação energética” defendida pelo presidente Donald Trump reforça a estratégia de ampliação da produção doméstica.

Com cerca de 28 VLCCs já contratados para maio, frente a aproximadamente cinco normalmente neste estágio do mês, algumas estimativas indicam que os embarques podem chegar a 5,3 milhões de barris por dia se a programação atual for mantida.

Segundo contrato visto pela Bloomberg, um navio VLCC Asian Progress foi fretado para transportar petróleo da Occidental Petroleum da Costa do Golfo dos EUA para a Ásia Oriental entre 17 e 21 de maio, por cerca de US$ 19 milhões.

O avanço das exportações ocorre às vésperas do pico sazonal de demanda de verão e pode pressionar o mercado doméstico norte-americano. Refinarias locais tendem a pagar mais para reter barris internamente caso os fluxos externos continuem elevados, em um momento em que o preço da gasolina já supera US$ 4 por galão, o maior nível desde 2022 — movimento que pode representar risco político adicional para o Partido Republicano de Trump nas eleições de meio de mandato.

Dados semanais da Energy Information Administration, divulgados pela Bloomberg, mostram que as exportações já se aproximaram brevemente da marca de 5 milhões de barris por dia, mas ainda sem sustentação consistente na média móvel de quatro semanas. Se confirmado, maio pode marcar a primeira vez em que os embarques se mantêm de forma estável próximos desse patamar.

Apesar do ritmo acelerado, o sistema de exportação dos EUA começa a esbarrar em suas próprias limitações logísticas. A disponibilidade de navios, a necessidade de embarcações menores para transferências portuárias e o aumento dos custos de frete indicam que os fluxos podem ter dificuldade para avançar muito além de 5,5 milhões de barris por dia sem expansão da capacidade de transporte — fator que segue no radar dos investidores diante da volatilidade recente do mercado global de energia.

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