A Opep+ ( Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciou neste domingo, 1, um aumento de 206 mil barris por dia na produção de petróleo, a partir de abril de 2026, em resposta à escalada do conflito militar no Oriente Médio e à interrupção das exportações que passam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de energia.
A decisão foi tomada em reunião virtual entre Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã, e reverte parte dos cortes voluntários de 1,65 milhão de barris por dia em vigor desde abril de 2023.
Em comunicado, o grupo afirmou que seguirá monitorando atentamente as condições do mercado e manterá “total flexibilidade” para aumentar, suspender ou reverter os ajustes voluntários de produção, conforme a evolução do cenário geopolítico e da demanda global.
O movimento ocorre após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita mais de 20% do petróleo consumido no mundo, depois de ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Em retaliação, Teerã passou a ameaçar navios que cruzam a hidrovia, levando grandes petrolíferas e empresas de transporte a suspender embarques.
Petróleo sobe 10% e mercado projeta US$ 100
A reação do mercado foi imediata. O petróleo Brent subiu cerca de 10% neste domingo, para US$ 80 o barril no mercado de balcão, segundo operadores do setor. Analistas avaliam que os preços podem avançar para a casa dos US$ 100, caso o bloqueio do estreito se prolongue.
“Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”, afirmou Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS. “Esperamos que os preços abram muito mais próximos de US$ 100 por barril — e talvez acima desse nível — se houver uma interrupção prolongada.”
Dados da plataforma MarineTraffic, citados pela Reuters e pela emissora portuguesa RTP, indicam que centenas de navios petroleiros e transportadores de GNL estão parados nas águas do Golfo Pérsico, aguardando uma solução para a crise.
A próxima reunião da Opep+ está marcada para 5 de abril, quando o grupo voltará a avaliar as condições de mercado, os níveis de conformidade e os mecanismos de compensação.