Ibovespa: tensão no Oriente Médio pressiona a bolsa brasileira. (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 23 de julho de 2026 às 11h10.
O Ibovespa abriu as negociações nesta quinta-feira, 23, em queda, mas passou a oscilar em torno da estabilidade alternando entre leves perdas e ganhos. Por volta das 11h, o principal índice acionário da B3 registrava ligeira queda de 0,40%, aos 176.836 pontos, pressionando pelos grandes bancos.
O humor do mercado também é afetado pelos novos ataques de rebeldes houthis a petroleiros no Mar Vermelho, que elevaram os temores de uma escalada da guerra no Irã, levando à disparada do petróleo e do dólar, que subia 0,69%, cotado a R$ 5,087. Uma interrupção da sequência de três quedas consecutivas.
Entre as de maior peso no índice, as petroleiras registravam ganhos em meio à forte valorização da commodity. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançavam 1,88%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiam 1,60%. A Prio (PRIO3) ganhava 2,11%, enquanto a Ultrapar (UGPA3) avançava 1,10% e a Vibra (VBBR3) tinha alta de 1,46%.
A Vale (VALE3) também operava no campo positivo, com forte valorização de 2,26%.
Na ponta negativa, as units do BTG Pactual (BPAC11) recuavam 1,32%, seguidas pelos papéis da B3 (B3SA3), em baixa de 0,94%, e do Itaú Unibanco (ITUB4), que caíam 0,51%. A WEG (WEGE3), após disparar mais de 10% na véspera com a divulgação do balanço trimestral, devolvia parte dos ganhos e recuava 2,57%. Embraer (EMBR3) perdia 0,69% e Localiza (RENT3) cedia 1,86%.
O head de análise da GTF Capital, Artur Horta, vê que "o mercado está respondendo aos ataques dos houthis a dois navios-tanque no Mar Vermelho, o que trouxe um receio de escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã e de um novo bloqueio no Estreito de Ormuz."
Horta indica, ainda, que o movimento levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros. "Hoje o mercado compra dólar para reduzir risco, os juros futuros estão estressados e a bolsa, consequentemente, cai. Quem se beneficia são as petroleiras, que lideram os ganhos, enquanto empresas mais ligadas aos juros, como varejo, saúde, educação e construção civil, estão entre as maiores quedas."
Na avaliação do analista, uma melhora consistente do mercado dependeria de um alívio na crise geopolítica. "Para vermos uma reversão desse cenário, seria necessária alguma notícia positiva sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, como um cessar-fogo ou um possível acordo."
Hoje os investidores também repercutem novos indicadores da economia americana. O Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram em 22 mil na semana encerrada em 18 de julho, para 187 mil, enquanto a média móvel de quatro semanas recuou para 207,5 mil, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente.
Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve inalteradas as três principais taxas de juros da zona do euro. A taxa de depósitos permaneceu em 2,25%, a de refinanciamento em 2,40% e a de empréstimo marginal em 2,65%. No Brasil, a agenda inclui leilões do Tesouro Nacional.
O petróleo atingia o maior nível em mais de um mês depois que o grupo houthi do Iêmen afirmou ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar ampliar os ataques contra o Irã.
O Brent para setembro avançava 6,38%, para US$ 100,10 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana de preços, subia 5,40%, a US$ 91,54.
O mercado também acompanha o risco de interrupções em corredores estratégicos para o transporte da commodity. Investidores monitoram a situação em Bab el-Mandeb, rota por onde passam cerca de 9 milhões de barris de petróleo por dia. O receio é de que a ampliação do conflito provoque novos gargalos logísticos.
Os principais índices de Wall Street operavam em queda, pressionados pela disparada do petróleo e pelos balanços de gigantes de tecnologia. O Dow Jones recuava 0,96%, o S&P 500 caía 0,99% e o Nasdaq perdia 1,80%, enquanto investidores avaliavam o agravamento das tensões no Oriente Médio.
As ações da Alphabet caíam cerca de 5% após a empresa elevar sua projeção de investimentos em inteligência artificial (IA) para 2026. Já a Tesla recuava mais de 10% depois de divulgar resultados trimestrais abaixo das expectativas do mercado.
Na Europa, os principais índices operavam em queda. O FTSE MIB, da Itália, recuava 2,76%, seguido pelo CAC 40, da França (-1,71%), pelo DAX, da Alemanha (-1,42%), pelo Stoxx 600 (-1,39%) e pelo FTSE 100, de Londres (-0,88%).
Na Ásia, por outro lado, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. O Kospi, da Coreia do Sul, liderou os ganhos, com avanço de 4,40%, impulsionado pelas ações da Samsung e da SK Hynix. O Nikkei 225, do Japão, subiu 0,46%, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,18%.