Jamie Dimon, CEO do JPMorgan: Um limite artificial nas taxas reduziria drasticamente a oferta de crédito para cerca de 80% da população. (Tiffany Hagler-Geard/Bloomberg/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 13h23.
O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, criticou a proposta do presidente Donald Trump para limitar em 10% os juros cobrados em cartões de crédito, sugerindo que a ideia fosse testada apenas em dois estados americanos: Vermont e Massachusetts.
A declaração foi feita durante painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira, 21. Dimon respondia a uma pergunta sobre a ordem dada por Trump, dias antes, pedindo que bancos limitassem voluntariamente as taxas de juros por um ano. A sugestão do republicano era de que o novo teto entrasse em vigor já na terça-feira.
“Seria um desastre econômico”, disse Dimon. Segundo o executivo, um limite artificial nas taxas reduziria drasticamente a oferta de crédito para cerca de 80% da população.
Diante do impasse político, Dimon sugeriu uma disse ser uma “ótima ideia”: aplicar o teto de 10% exclusivamente nos estados de Vermont e Massachusetts. Os dois estados são redutos dos senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren, apoiadores do projeto que propõe o limite nas taxas por cinco anos. Dimon não citou os nomes dos parlamentares.
Trump afastou investidores do dólar, dizem economistas em Davos“O governo deveria obrigar todos os bancos a fazerem isso em dois estados, Vermont e Massachusetts, e ver o que acontece”, disse, arrancando risos da plateia em Davos.
Para o CEO, quem sentiria os impactos não seriam apenas os emissores de cartão de crédito, mas também restaurantes, varejistas, empresas de viagens, escolas e prefeituras. Segundo ele, o problema seria o acesso ao crédito: “As pessoas não conseguirão pagar a conta de água".
A proposta, divulgada por Trump em sua conta no Truth Social na semana passada, teria validade inicial de um ano e entraria em vigor no dia 20 de janeiro.
“Proponho um limite de 10% para as taxas de juros de cartões de crédito por um ano”, escreveu o republicano no dia 12, repetindo uma das promessas feitas durante a campanha presidencial de 2024.
A proposta, no entanto, ainda depende do Congresso.
As taxas de juros dos cartões de crédito têm se mantido acima de 20% nos últimos anos, sendo alvo de legisladores republicanos e democratas. Associações bancárias têm feito previsões alarmantes sobre o que aconteceria se as taxas fossem drasticamente reduzidas, colocando em risco a lucratividade dos bancos.
Em resposta ao apelo de Trump, grupos do setor, incluindo o Bank Policy Institute e a Consumer Bankers Association, adotaram um tom mais moderado, dizendo compreender o objetivo do presidente de ajudar os americanos a terem acesso a crédito mais acessível.
“Ao mesmo tempo, as evidências mostram que um limite de 10% na taxa de juros reduziria a disponibilidade de crédito e seria devastador para milhões de famílias americanas e proprietários de pequenas empresas que dependem e valorizam seus cartões de crédito, justamente os consumidores que esta proposta pretende ajudar", argumentaram em comunicado divulgado pela Bloomberg à época.