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Guerra no Oriente Médio chega a 38 dias com petróleo em alta e ultimato de Trump

Plano de cessar-fogo é discutido, mas impasse sobre Estreito de Ormuz mantém tensão elevada

Guerra no Oriente Médio: ataques e bloqueio no Estreito de Ormuz pressionam preços do petróleo e ampliam tensão global (Majid Saeedi/Getty Images)

Guerra no Oriente Médio: ataques e bloqueio no Estreito de Ormuz pressionam preços do petróleo e ampliam tensão global (Majid Saeedi/Getty Images)

Publicado em 6 de abril de 2026 às 06h19.

Última atualização em 6 de abril de 2026 às 06h20.

A guerra no Oriente Médio entrou no 38º dia nesta segunda-feira, 6, com intensificação dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, avanço nos preços do petróleo e aumento da pressão diplomática por um acordo envolvendo o Estreito de Ormuz.

Os preços do petróleo operavam em alta diante das incertezas sobre a oferta global. O barril do WTI subia 1,86%, a US$ 113,62, enquanto o Brent avançava 1,16%, a US$ 110,30.

No campo militar, um míssil iraniano atingiu um edifício residencial em Haifa, no norte de Israel, deixando ao menos dois mortos e dez feridos, segundo autoridades locais. Entre os feridos estão um idoso em estado grave e um bebê com lesões leves.

O Irã lançou novas ondas de ataques com mísseis contra diferentes regiões israelenses, incluindo Tel Aviv e Haifa.

Ao mesmo tempo, bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel atingiram áreas residenciais no território iraniano, deixando pelo menos 17 mortos em diferentes cidades.

Fontes indicam que instalações estratégicas foram atingidas, incluindo a Universidade Sharif, em Teerã, onde danos à infraestrutura energética provocaram apagões na região.

Pressão militar e ultimato ampliado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã com ataques à infraestrutura crítica caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. O prazo, inicialmente de 48 horas, foi estendido até terça-feira à noite.

Em publicações recentes, Trump afirmou que poderá destruir centrais elétricas e pontes iranianas caso não haja acordo. O republicano também não descartou o envio de tropas terrestres.

Do lado iraniano, autoridades do país afirmaram que não aceitarão “ultimatos” e rejeitaram reabrir o estreito como parte de um cessar-fogo temporário.

O presidente do Parlamento iraniano advertiu que as ações dos EUA podem levar toda a região a um “inferno”, enquanto o comando militar prometeu ataques “devastadores” contra interesses americanos e israelenses.

Negociações por cessar-fogo ganham força

Os governos dos Estados Unidos e do Irã avaliam uma proposta para encerrar a guerra, enquanto Trump pressiona por um desfecho até terça-feira, 7.

O plano em discussão prevê um cessar-fogo imediato, seguido de um acordo mais amplo a ser finalizado em até 20 dias, com mediação de Paquistão, Egito e Turquia.

Trump afirmou no fim de semana que há “uma boa chance” de entendimento antes do prazo, mas condicionou o avanço das negociações à reabertura do Estreito de Ormuz.

“Estamos em negociações profundas com o Irã. Há uma boa chance, mas se eles não fizerem um acordo, vou explodir tudo por lá”, declarou.

O presidente também intensificou o tom ao afirmar que “terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes” no Irã, caso não haja acordo.

Segundo Trump, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner conduzem negociações intensas por canais indiretos. Em entrevista, ele afirmou que as tratativas avançam, mas criticou a postura iraniana.

“As negociações estão indo bem, mas você nunca chega à linha de chegada com os iranianos”, disse.

O Irã, por sua vez, rejeitou reabrir o estreito como parte de uma trégua temporária e indicou que não aceita prazos impostos durante a análise da proposta.

Nos bastidores, segundo a Bloomberg, aliados dos Estados Unidos pressionam por um acordo.

Escalada regional e impacto global

O impasse ocorre após mais de cinco semanas de conflito entre forças dos Estados Unidos, Israel e Irã.

O Irã respondeu aos ataques fechando o Estreito de Ormuz e realizando ofensivas contra Israel, bases americanas e infraestruturas energéticas no Golfo.

Ataques recentes atingiram instalações petroquímicas e embarcações ligadas a Israel em países como Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — continua sendo o principal ponto de tensão. O tráfego marítimo segue drasticamente reduzido, com queda de até 90% no fluxo de navios.

A Opep+ anunciou aumento simbólico na produção de petróleo em 206 mil barris por dia a partir de maio, mas analistas avaliam que a medida não terá efeito prático enquanto o conflito persistir.

Mediação tenta evitar ruptura

Ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Egito e Turquia intensificaram contatos para viabilizar medidas de confiança entre as partes.

A proposta inclui a possibilidade de estender o prazo imposto por Trump, caso haja progresso mínimo nas negociações.

Autoridades envolvidas afirmam que as tratativas seguem até o limite do prazo, sem confirmação de avanço concreto.

Trump reiterou que não pretende interromper a ofensiva caso não haja acordo.

O desfecho das negociações depende da aceitação de condições iniciais, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz, ponto central do impasse.

Os confrontos já causaram mais de 3.540 mortes no Irã, incluindo ao menos 244 crianças. No Líbano, foram registrados 1.461 mortos.

*Com EFE e AFP

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