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Índice que compara dólar a moedas fortes chega a menor nível em quatro meses

Em meio ao enfraquecimento da moeda americana, o ouro disparou e renovou máximas históricas

Dólar frente ao real: movimento global de queda se reflete no câmbio doméstico, com o dólar recuando para R$ 5,27 no Brasil, o menor valor em 20 meses (Designed by/Freepik)

Dólar frente ao real: movimento global de queda se reflete no câmbio doméstico, com o dólar recuando para R$ 5,27 no Brasil, o menor valor em 20 meses (Designed by/Freepik)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 15h48.

O dólar à vista aprofundou as perdas nesta segunda-feira, 26, e levou o índice DXY ao menor nível em cerca de quatro meses, em um movimento impulsionado por especulações de que Estados Unidos e Japão possam atuar de forma coordenada para conter a fraqueza do iene.

Em meio ao enfraquecimento da moeda americana, o ouro disparou e renovou máximas históricas, ultrapassando a marca dos US$ 5 mil por onça.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,64%, aos 96,98 pontos, perto das 15h30, caminhando para o menor patamar desde 16 de setembro — até então, o nível mais baixo do indicador, quando havia encerrado o pregão a 96,63 pontos.

A divisa americana caiu pelo terceiro pregão consecutivo e perdeu força frente à maior parte das principais moedas globais. O iene atingiu sua cotação mais forte em dois meses, em um ambiente de elevada volatilidade no mercado cambial.

Já os metais preciosos estenderam o rali e, logo pela manhã, o ouro cravou novo recorde e a prata avançou cerca de 6%.

No Brasil, o movimento global se reflete no câmbio doméstico. O dólar manteve trajetória de queda frente ao real ao longo da primeira metade do pregão desta segunda, chegando a R$ 5,261, em meio à valorização do iene e à busca por ativos fora da moeda americana. Por volta das 14h18, o dólar à vista caía 0,28%, a R$ 5,272.

Caso o fechamento se confirme abaixo desse nível, a moeda pode registrar o menor valor desde 6 de junho de 2024, quando encerrou a R$ 5,2492.

Desvalorização expressiva do dólar

Desde a semana passada, o dólar vem sofrendo uma desvalorização expressiva nos mercados internacionais, à medida que investidores adotam posições mais defensivas e reduzem exposição à moeda americana, movimento que tem favorecido ativos de mercados emergentes, como o Brasil.

A leitura dos investidores é de que os sinais de coordenação entre Tóquio e Washington — incluindo verificações conjuntas das taxas de câmbio — podem indicar preparação para uma intervenção direta no mercado.

Uma ação coordenada entre EUA e Japão ampliaria o poder das autoridades para conter movimentos especulativos, após o iene ter atingido, no início do mês, o nível mais fraco em 18 meses. "O sinal mais relevante é a coordenação de políticas", afirmou Daniel Baeza, vice-presidente sênior da Frontclear a Bloomberg.

Segundo ele, caso o mercado interprete essa articuslação como uma maior tolerância a condições globais menos favoráveis ao dólar — especialmente se combinada a uma postura mais branda do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) —, a tendência de enfraquecimento da moeda americana pode se intensificar no curto prazo.

No mercado de renda fixa, os Treasuries, os títulos do tesouro americano, avançaram em toda a curva, refletindo apostas maiores em cortes de juros em 2026. O movimento ganhou força após a candidatura de Rick Rieder, executivo da BlackRock, à presidência do Fed ganhar tração.

Com a possibilidade de anúncio do novo presidente do banco central já nesta semana, as expectativas sobre os rumos da política monetária seguem no radar, especialmente às vésperas da decisão de juros que será divulgada pelo atual presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, na quarta-feira, 28.

Big techs e novo shutdown no radar

A semana também marca o período mais intenso da temporada de balanços, com quatro das sete gigantes de tecnologia divulgando resultados.

Embora essas empresas tenham liderado os ganhos do mercado nos últimos três anos, a força das big techs perdeu fôlego no fim de 2025, diante do ceticismo de Wall Street sobre a capacidade de os investimentos bilionários em inteligência artificial se traduzirem em retornos no curto prazo.

"O principal foco dos investidores deve estar nos comentários sobre gastos com IA", disse Stephan Kemper, estrategista-chefe de investimentos da BNP Paribas Wealth Management a Bloomberg. Para ele, qualquer sinal de desaceleração pode ser interpretado como uma perda de confiança dos hiperescaladores na monetização desses investimentos dentro de um horizonte razoável.

Apesar disso, estrategistas começam a identificar sinais de que o crescimento dos lucros nos Estados Unidos está se espalhando para além das megacaps de tecnologia.

Uma análise do JP Morgan mostra que cerca de metade das empresas do S&P 500 que já divulgaram projeções para 2026 superaram as expectativas do mercado. O Goldman Sachs também avalia que os lucros devem continuar sustentando a expansão econômica.

“Como a maior parte das empresas que reportaram resultados não pertence ao setor de tecnologia, esse movimento sugere uma ampliação do crescimento para outros segmentos ao longo do ano”, escreveu Dubravko Lakos-Bujas, estrategista do JPMorgan, em relatório.

No campo político, investidores seguem atentos a Washington, depois que líderes democratas ameaçaram uma paralisação do governo em reação à política migratória de Donald Trump. Para o mercado, um novo shutdown adicionaria riscos ao ambiente já marcado por incertezas.

“Uma paralisação representaria claramente riscos negativos para o humor do mercado, especialmente depois de termos acabado de nos recuperar da última”, afirmou Kemper.

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