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Ibovespa cai 1,6% de olho em PEC da Transição e cenário político

Proposta é aprovada no Senado e segue para Câmara; Lula pode indicar equipe econômica amanhã

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

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Guilherme Guilherme e Beatriz Quesada

8 de dezembro de 2022, 18h22

O  Ibovespa ignorou o dia de recuperação no exterior e caiu pelo segundo pregão consecutivo nesta quinta-feira, 8, de olho no cenário político e no quadro fiscal. A PEC da Transição, aprovada ontem no Senado, continuou no radar, bem como a possível indicação da equipe econômica de Lula já amanhã.

  • Ibovespa: - 1,67%, aos 107.249 pontos
  • Dólar: - 0,20%, a R$ 5,216

Na bolsa, ações da Vale (VALE3), impediram uma queda ainda mais forte da bolsa. Na contramão, Petrobras (PETR4) caiu e ajudou a manter o índice no negativo. Acompanhe os principais destaques:

Senado aprova PEC

A PEC da Transição, que abre espaço no Orçamento para o Bolsa Família, passou em dois turnos no Senado praticamente ilesa em relação ao texto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

O Bolsa Família foi mantido dentro do teto de gastos, expandido em R$ 145 bilhões para bancar os custos do programa por dois anos. Fora do teto de gastos, se manteve o montante adicional de R$ 23 bilhões atrelado ao excedente da receita. O saldo final ficou em R$ 168 bilhões de impacto fiscal, R$ 30 bilhões abaixo da proposta que chegou na CCJ no início da semana.

Apesar de menor que o esperado, o gasto ainda é visto como negativo pelos agentes financeiros. Agora, a expectativa do mercado é como será a tramitação da PEC na Câmara, considerada por investidores como mais "imprevisível". A proposta ainda corre o risco de ter que voltar para o Senado, em caso de alterações no texto.

"Ainda que na câmara haja alguma resistência ao texto, com potenciais movimentos de supressão a pontos específicos da matéria vinda do Senado, é pouco provável que encontre entraves maiores para sua aprovação de maneira célere", disse em nota Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa.

Leia também: 5 opiniões do mercado sobre a última reunião do Copom do ano

Mercado aguarda Lula

Enquanto a PEC segue em debate no Congresso, investidores também aguardam a tão esperada definição da equipe econômica do novo governo Lula. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar amanhã nomes importantes de sua equipe ministerial, incluindo o Ministro da Fazenda.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), nome mais cotado para assumir a Economia, se reuniu pela manhã com Paulo Guedes, atual ministro da pasta do governo Bolsonaro. Haddad se reuniu com Guedes como representante do grupo de transição na área econômica.

Haddad é um nome que enfrenta resistência no mercado, mas o risco de sua indicação tem sido minimizado na expectativa de outros nomes mais técnicos em outras pastas relacionadas à economia. 

Além disso, a estratégia de Lula de projetar Haddad no cargo para que o ex-prefeito seja seu sucessor em 2026 pode indicar que o “governo petista não fará grandes experimentalismos no campo econômico”, afirma o economista André Perfeito.

“Lula não irá arriscar mais que o necessário na agenda econômica. Isso não quer dizer que irá dar certo a estratégia e que necessariamente o país vai crescer, mas quer dizer que Lula está sinalizando que o prêmio de risco nos juros está fora do lugar”, avalia Perfeito.

Outra indicação de moderação seria a notícia de que o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi sondado por um emissário de Lula para um segundo mandato à frente da autarquia.

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Vale (VALE3) impede derrocada do Ibovespa

Na bolsa, as ações da Vale impediram uma queda ainda maior do Ibovespa, seguindo o mercado internacional. 

O papel ficou entre as poucas altas do dia após o minério de ferro superar 3% de alta na China em meio a medidas do governo para sustentar o setor imobiliário local. 

O petróleo também subiu, depois de ter tocado a mínima do ano no último pregão. Prio, ex-PetroRio, também avançou nesta quinta.

Petrobras (PETR4) cai com temor de mudança na estratégia

A Petrobras, por outro lado, fechou o dia em queda de cerca de 2,5% após a equipe de transição do governo Lula pedir a suspensão do desinvestimento em refinarias. 

O senador Jean Paul Prates (PT), cotado para assumir a estatal e integrante do grupo de transição da área de Minas e Energia, afirmou que a equipe do novo governo pediu para que os processos de desinvestimentos já iniciados fossem suspensos até que a nova gestão assuma em 2023.

Pela manhã, a estatal divulgou fato relevante destacando que “não houve qualquer decisão no sentido de suspender a alienação das refinarias que estão no programa de desinvestimentos da companhia”.

  • Petrobras (PETR3): - 2,57%
  • Petrobras (PETR4): - 2,41%

Leia também: Petrobras (PETR4) cai mais de 2% após transição pedir suspensão do desinvestimento em refinarias

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Apenas 7 das 92 ações do Ibovespa encerraram o dia em alta. A liderança fica com a Méliuz, seguida por IRB, Prio e Vale.

Na ponta oposta, a CVC, Azul e Gol devolveram os ganhos de ontem e lideraram as baixas do dia. Pão de Açúcar também recuou.

  • CVC (CVCB3): - 10,23%
  • Azul (AZUL4): - 7,61%
  • Pão de Açúcar (PCAR3): - 6,97%
  • Gol (GOLL4): - 6,82%

Mercado internacional

Índices de Nova York fecharam a quinta em alta, após o S&P 500 cair por cinco pregões consecutivos por dados mais fortes da atividade econômica americana. A grande expectativa, agora, é para os próximos índices de inflação, que serão divulgados nos Estados Unidos entre amanhã, 9, e terça-feira, 13, e para a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira, 14.

"O mercado externo está muito focado nesses eventos, que deverão ser os principais divisores de água para o fim do ano", disse Rodrigo Jolig, CIO da Alphatree Capital.