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Juros dos EUA e dólar forte podem limitar fluxo para emergentes, diz JP Morgan

Banco avalia que a melhora do cenário geopolítico pode favorecer a volta dos investidores, mas vê uma recuperação gradual após saídas de US$ 215 bi no 1° trimestre

JP Morgan: banco projeta que o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar (big_nazik/Freepik)

JP Morgan: banco projeta que o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar (big_nazik/Freepik)

Publicado em 5 de junho de 2026 às 06h02.

O JP Morgan avalia que os fluxos de capital para os mercados emergentes podem se recuperar à medida que diminuam as tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas vê obstáculos importantes para uma retomada mais robusta. De acordo com o banco, os juros mais altos nos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar devem frear o retorno dos investidores após um trimestre em que as saídas de capital somaram US$ 215 bilhões.

O volume é comparável ao observado durante o chamado "Dia da Libertação", episódio ocorrido no segundo trimestre de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma ampla rodada de tarifas de importação contra diversos parceiros comerciais.

A medida gerou forte turbulência nos mercados financeiros globais e ampliou as preocupações com o crescimento econômico mundial.

Segundo o banco, a deterioração dos fluxos foi impulsionada principalmente pela retirada de investidores estrangeiros de mercados acionários mais desenvolvidos dentro do universo emergente, com destaque para Coreia do Sul, Índia e Brasil.

Os dados da balança de pagamentos de março mostraram a maior queda mensal dos fluxos líquidos de capital desde março de 2020, período marcado pelo choque inicial da pandemia.

Apesar da intensidade das saídas, o JP Morgan avalia que o episódio não representou um choque sistêmico para o conjunto dos mercados emergentes. As retiradas de recursos ficaram concentradas em alguns países específicos, enquanto fatores como o aumento das exportações de tecnologia e a valorização dos metais ajudaram a compensar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre as contas externas.

Nesse contexto, a instituição acredita que os fluxos de capital podem voltar a apresentar entradas líquidas nos próximos meses, à medida que os investidores reduzam a percepção de risco em relação ao conflito no Oriente Médio e o cenário global continue sendo favorecido pelo avanço do setor de tecnologia.

"Os fluxos de capital podem se intensificar nos próximos meses, à medida que os investidores deixem de lado as preocupações com o conflito", afirma o relatório.

Alta do dólar e dos títulos dos EUA podem limitar emergentes

A recuperação, porém, deve ocorrer de forma gradual. O JP Morgan projeta que o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar continuarão limitando o retorno de recursos aos mercados emergentes.

Na avaliação do banco, esses fatores podem reduzir a atratividade desses países para investidores internacionais, restringindo tanto os investimentos de portfólio quanto os fluxos de investimento direto estrangeiro, além de estimular investidores locais a direcionarem recursos para ativos no exterior.

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