Artrite reumatoide: estudo indica que tratamento precoce pode adiar a doença por anos (Freepik)
Redatora
Publicado em 5 de junho de 2026 às 06h13.
Um tratamento de apenas um ano com o medicamento abatacepte pode retardar o desenvolvimento da artrite reumatoide por até quatro anos em pessoas com alto risco da doença, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet Rheumatology. A pesquisa acompanhou pacientes por até oito anos e encontrou benefícios que persistiram muito além do fim da terapia.
Os resultados sugerem que a artrite reumatoide, uma doença autoimune crônica que causa dor, inchaço, fadiga e danos progressivos às articulações, pode ser influenciada antes mesmo de seu diagnóstico.
De acordo com o estudo, não existem atualmente terapias aprovadas para prevenir a doença em pessoas consideradas de alto risco.
A análise, conduzida por pesquisadores do King's College London, incluiu 213 participantes do Reino Unido e da Holanda e representa um dos acompanhamentos mais longos já realizados em indivíduos com risco elevado de desenvolver artrite reumatoide.
A artrite reumatoide ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo, sobretudo as articulações.
Entre os sintomas mais comuns estão:
A doença pode comprometer a qualidade de vida e, quando não controlada, levar à incapacidade física.
Os pesquisadores avaliaram pessoas que apresentavam sinais biológicos associados ao desenvolvimento futuro da artrite reumatoide. Parte dos participantes recebeu abatacepte durante 12 meses, enquanto outro grupo recebeu placebo. Após o término do tratamento, todos continuaram sendo acompanhados pelos pesquisadores.
Os resultados mostraram que os participantes tratados com o medicamento desenvolveram artrite reumatoide significativamente mais tarde do que aqueles que receberam placebo. Em alguns casos, o aparecimento da doença foi adiado por até quatro anos após o fim da terapia.
Segundo os autores, a descoberta demonstra que intervenções realizadas antes do surgimento da artrite reumatoide podem modificar o curso da doença por períodos prolongados.
Os benefícios mais expressivos foram observados entre participantes que apresentavam autoanticorpos específicos associados à artrite reumatoide, identificados por exames de sangue. Embora essas pessoas tivessem maior probabilidade de desenvolver a doença, elas também responderam melhor ao tratamento precoce.
Durante o período em que receberam abatacepte, os participantes relataram melhora em sintomas como dores articulares, fadiga e sensação geral de bem-estar.
Após o encerramento da terapia, porém, os níveis desses sintomas passaram a ser semelhantes aos observados entre os participantes que receberam placebo.
De acordo com os pesquisadores, isso sugere que a modulação contínua do sistema imunológico pode ser necessária para manter alguns dos benefícios clínicos.