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Petrobras (PETR4) cai mais de 2% após transição pedir suspensão do desinvestimento em refinarias

Empresa divulgou fato relevante dizendo que não existe nenhuma decisão tomada para mudar a estratégia da estatal

Petrobras (PETR4): empresa recua na bolsa com dúvidas sobre futuro da estratégia (Dado Galdieri/Bloomberg)

Petrobras (PETR4): empresa recua na bolsa com dúvidas sobre futuro da estratégia (Dado Galdieri/Bloomberg)

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Beatriz Quesada

8 de dezembro de 2022, 19h07

As ações da Petrobras caíram mais de 2% nesta quinta-feira, 8, após a equipe de transição do governo Lula pedir a suspensão do desinvestimento em refinarias. 

O senador Jean Paul Prates (PT), cotado para assumir a estatal e integrante do grupo de transição da área de Minas e Energia, afirmou que a equipe do novo governo pediu para que os processos de desinvestimentos já iniciados fossem suspensos até que a nova gestão assuma em 2023.

“Toda administração nova tem direito de analisar passos que ainda não foram completados. Existem ativos que fazem ativos desmobilizar ou vender, mas há muitos ativos importantes que podem ser objeto de reconsideração para que a empresa possa integrar esses ativos na nova formatação”, afirmou Prates em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 8.

O papel aprofundou as perdas e atingiu a mínima do dia durante a fala do senador. Prates já havia falado à imprensa sobre o assunto ontem e, pela manhã, a estatal divulgou fato relevante destacando que “não houve qualquer decisão no sentido de suspender a alienação das refinarias que estão no programa de desinvestimentos da companhia”.

O temor dos investidores é que a nova gestão do PT mude a atual estratégia da Petrobras de foco em seu negócio mais rentável -- a exploração e produção em campos profundos -- para retomar o investimento em ativos considerados menos rentáveis, como as refinarias.

  • Petrobras (PETR3): - 2,57%
  • Petrobras (PETR4): - 2,41%

Vale lembrar que a empresa atingiu fortes patamares de rentabilidade este ano e chegou a ser a maior pagadora de dividendos do mundo ao distribuir os lucros com seus acionistas. A estratégia de retorno aos investidores também foi criticada por Prates.

“Uma empresa que apenas distribui dividendos projeta um futuro nebuloso. Não se vê para onde a companhia está indo. Toda empresa de petróleo e energia precisa ter projetos no pipeline e provisões para que esses investimentos ocorram”, defendeu o senador.

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