Conflito no Irã: expectativa é de aumento da aversão ao risco, em um cenário que tende a fortalecer o dólar e pressionar ativos de países emergentes ( user3222645/Freepik)
Repórter
Publicado em 2 de março de 2026 às 09h45.
O dólar voltou a ganhar força frente ao real nesta segunda-feira, 2, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana, que culminaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Às 9h40, a moeda americana avançava 1,09% ante o real, cotada a R$ 5,19, revertendo parte do movimento de enfraquecimento observado na semana passada.
O movimento é global. No mesmo horário, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, subia 0,78%, aos 98,39 pontos.
No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que Khamenei havia sido morto nos bombardeios — informação posteriormente confirmada pelo governo iraniano.
No domingo, 1º, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região e elevando a incerteza global.
A expectativa é de aumento da aversão ao risco, em um cenário que tende a fortalecer o dólar e pressionar ativos de países emergentes. Analistas avaliam que, para o Brasil, o câmbio pode avançar para a faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25 no curto prazo, movimento que pode pressionar os juros futuros e levar a bolsa brasileira a recuar para o intervalo entre 170 mil e 180 mil pontos.
A alta desta segunda-feira contrasta com o desempenho recente da moeda. Na sexta-feira, 27, o dólar ensaiou recuperação ao longo do dia, chegou a bater R$ 5,17 na máxima, mas perdeu força e encerrou a sessão em R$ 5,1340, com leve queda de 0,1%.
Na semana, a última de fevereiro, acumulou baixa de 2,3%. No ano, a desvalorização frente ao real chegava a 6,46%.
Até então, o enfraquecimento do dólar não era um fenômeno restrito ao Brasil. A moeda vinha perdendo espaço como principal ativo de proteção, movimento que favorecia o ouro e outras commodities.
O fluxo estrangeiro na bolsa brasileira já ultrapassava US$ 35 bilhões em 2026, aumentando a oferta de dólares no país e pressionando a cotação para baixo. Na sexta-feira, o próprio DXY recuava 0,2%, refletindo esse cenário de menor demanda global pela divisa americana.