Ali Khamenei: O Irã terá 40 dias de luto e sete dias de feriado para honenagear Khamenei (Handout / KHAMENEI.IR/AFP)
Editor de Macroeconomia
Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 23h17.
Última atualização em 28 de fevereiro de 2026 às 23h20.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morreu após ataques lançados neste sábado, 28, pelos Estados Unidos e por Israel, confirmou a mídia estatal iraniana.
A informação foi divulgada inicialmente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na rede Truth Social. Há pouco, veículos oficiais de Teerã confirmaram a informação.
Segundo a imprensa iraniana, sua filha, genro e neta também morreram no ataque.
O Irã terá 40 dias de luto e sete dias de feriado para honenagear Khamenei.
Em vídeo no início do dia, Trump afirmou que os EUA iniciaram “grandes operações de combate” no país persa, com apoio de Israel.
Segundo dois integrantes do governo americano ouvidos pela emissora NBC News, Israel teria mirado lideranças políticas e militares iranianas, enquanto Washington concentrou a ofensiva nos programas de mísseis balísticos e nuclear do país. A Casa Branca não divulgou lista oficial de alvos atingidos.
Trump também fez apelo direto à população iraniana. Em declaração pública, afirmou que os cidadãos deveriam “assumir o controle do governo” após o fim dos ataques. A fala amplia o tom adotado por Washington e reforça o discurso de mudança de regime, hipótese historicamente rejeitada por Teerã.
A reação do Irã foi imediata.
O país lançou mísseis contra Israel e contra bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Jordânia, ampliando o risco de confronto regional.
Não há, até o momento, balanço consolidado de vítimas nesses ataques.
Antes da confirmação da morte de Khamenei, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista exclusiva à NBC News que o país estava disposto a negociar uma redução da escalada, desde que EUA e Israel interrompessem os ataques. Segundo ele, a proposta de mudança de regime seria “missão impossível”.
A morte do líder supremo cria incerteza sobre a sucessão no comando da República Islâmica, cargo que concentra autoridade religiosa e política.
Khamenei ocupava a posição desde 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador do regime instaurado em 1979.
Ao mesmo tempo, os ataques rápidos do Irã apontam uma capacidade de funcionamento descentralizado do regime, segundo analistas.
A ofensiva conjunta e a morte do principal líder político-religioso do Irã marcam um ponto de inflexão no conflito entre Teerã, Washington e Tel Aviv, com potencial de redesenhar o equilíbrio de forças no Oriente Médio nas próximas semanas.