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Maiores fabricantes de contêineres do mundo são acusadas de cartel; ações caem 20%

Investigação dos Estados Unidos mira suposta restrição de oferta de contêineres marítimos

Contêineres: fabricantes chinesas estão no centro de investigação dos EUA. (Getty Images)

Contêineres: fabricantes chinesas estão no centro de investigação dos EUA. (Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 22 de maio de 2026 às 09h58.

Fabricantes chinesas de contêineres marítimos sofrerem forte liquidação na bolsa por causa das acusações de cartel feitas pelos Estados Unidos.

Ação da Singamas Container Holdings despencaram mais de 20%. As da China International Marine Containers (CIMC), maior empresa do setor no mundo, caíram 10% nas bolsas de Hong Kong e Shenzhen.

O caso também envolve a Shanghai Universal Logistics Equipment e a CXIC Group Containers, que não são listadas. As quatro empresas investigadas dominam cerca de 95% do mercado mundial de contêineres secos.

Restrições da produção de contêineres

A reação do mercado veio após o Departamento de Justiça dos EUA acusar quatro fabricantes chinesas de coordenar restrições da produção para reduzir a oferta global de contêineres e elevar preços durante a pandemia.

As autoridades estadunidenses afirmam que a suposta prática teria ocorrido entre novembro de 2019 e janeiro de 2024, período marcado pela crise logística global provocada pela covid-19, segundo o Nikkei Asia.

Isso ajudou a impulsionar os preços dos contêineres justamente quando exportadores e transportadoras enfrentavam escassez de equipamentos, congestionamentos em portos e disparada dos custos de frete marítimo.

Balanços das empresas melhoraram

O movimento do suposto cartel levou a Singamas a sair de um prejuízo de US$ 110,2 milhões em 2019 para lucro líquido de US$ 186,8 milhões em 2021.

Na CIMC, o lucro atingiu 6,66 bilhões de yuans no mesmo ano, mais de quatro vezes acima do registrado antes da pandemia.

Nos últimos anos, porém, o mercado virou. Com a normalização das cadeias globais de suprimentos e o excesso de capacidade na indústria, as fabricantes passaram a enfrentar queda de demanda e pressão sobre preços.

O CEO da Singamas, Teo Siong Seng, que também é investigado, relatou que um problema de "superprodução" afetou significativamente o mercado de contêineres secos.

A companhia também detalhou que houve uma demanda fraca no segundo semestre do ano passado, citando incertezas relacionadas às tarifas e à política comercial dos Estados Unidos.

Setor desacelera, com receitas menores

A receita da Singamas caiu quase 60% entre 2021 e 2025, para US$ 481,5 milhões, enquanto o lucro recuou para US$ 17,4 milhões.

Já o lucro na CIMC despencou 97% em relação ao pico da pandemia e caiu para 220,8 milhões de yuans, mostrando uma eventual desaceleração no setor, segundo fontes consultadas pelo Nikkei.

Mas, mesmo com a pressão do mercado, as empresas disseram que seguem operando normalmente. O comentário veio após um funcionário da Singamas, que não ocupa cargo executivo, ter sido detido na França.

Ele aguarda, agora, extradição para os EUA. A companhia contratou assessores jurídicos, no intuito de avaliar possíveis implicações, e disse que nem ela nem seu presidente receberam notificações formais das autoridades.

Acusada junto de três integrantes, a CIMC, por outro lado, destacou em comunicado que "atribui grande importância" ao caso e disse que acompanhará os desdobramentos de forma ativa.

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