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(LightRocket /Getty Images)
Repórter
Publicado em 26 de junho de 2026 às 08h19.
O governo de Donald Trump pediu à OpenAI que limite o lançamento de seu próximo modelo de inteligência artificial (IA), o GPT-5.6, liberando-o apenas a um pequeno grupo de parceiros aprovados pelo governo antes de qualquer distribuição mais ampla, segundo a agência Axios.
É a primeira vez que o governo dos Estados Unidos pede, de forma preventiva, que uma empresa americana de IA restrinja o lançamento de um modelo antes de ele chegar ao público.
O pedido partiu de dois órgãos da Casa Branca — o Escritório do Diretor Nacional de Cibersegurança e o Escritório de Política Científica e Tecnológica — enquanto o governo monta uma estrutura para testar e avaliar a segurança de novos modelos. A OpenAI concordou em escalonar o lançamento, mas deixou claro que não pretende repetir o modelo no futuro.
O plano de lançamento restrito foi comunicado pelo presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, em um memorando aos funcionários, segundo o site The Information, que revelou a história primeiro.
"Deixamos claro ao governo dos Estados Unidos que este não é nosso modelo preferido de longo prazo, e vamos trabalhar com ele e com outros na indústria para alcançar uma abordagem mais sustentável para lançamentos futuros", escreveu Altman.
Segundo o memorando, durante o período inicial o governo vai "aprovar o acesso cliente a cliente". A liberação mais ampla do GPT-5.6 é esperada para "algumas semanas depois", a depender de como avançar esse processo de aprovação.
A própria empresa afirma ter trabalhado de perto com o governo na preparação do lançamento.
O pedido à OpenAI ocorre poucas semanas depois de um embate de alto perfil entre a Casa Branca e a rival Anthropic, criadora do chatbot Claude. Em 12 de junho, o governo emitiu uma rara diretriz de controle de exportações que obrigou a Anthropic a tirar do ar seus modelos mais avançados, o Fable 5 e o Mythos 5, para impedir o acesso de estrangeiros — alegando preocupações de segurança nacional.
A diferença, desta vez, está no tom. Segundo uma fonte ouvida pela Axios, o governo interveio porque o GPT-5.6 tem capacidade "semelhante à do Mythos", e não porque a administração tenha decidido subitamente adotar uma postura mais dura.
"É isso que acontece com modelos desse calibre", disse a fonte. A avaliação, tanto da empresa quanto do governo, é que o novo modelo da OpenAI está "no mesmo nível" do Mythos da Anthropic em capacidade — especialmente na área de cibersegurança.
O Mythos, modelo da Anthropic usado como parâmetro, foi apresentado em abril e projetado para identificar vulnerabilidades de cibersegurança antes que hackers as explorem.
A própria Anthropic optou por não lançá-lo publicamente, por considerá-lo poderoso demais para acesso irrestrito — distribuindo-o a cerca de 40 organizações, incluindo Google, Microsoft e JPMorgan Chase, por meio de um programa controlado.
A preocupação de fundo é a mesma que ronda todo o setor: o risco de que agentes mal-intencionados — espiões a serviço de outros países, cibercriminosos ou funcionários infiéis — coloquem as mãos em modelos cada vez mais capazes. Antes de discutir o lançamento com Altman, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, quis garantir que todas as partes relevantes do governo tivessem testado e aprovado o GPT-5.6.
O episódio expõe uma lacuna: não existe, hoje, uma estrutura regulatória federal clara para a revisão de modelos avançados antes do lançamento.
No início do mês, Trump assinou um decreto que pede às empresas de IA que submetam voluntariamente seus modelos a uma revisão de cibersegurança do governo por até um mês antes do lançamento público — mas a participação é voluntária, e a estrutura para executá-la ainda não foi montada.
O resultado é um cenário de improviso, em que diferentes órgãos atuam sem coordenação: o pedido à OpenAI veio da Casa Branca, enquanto a proibição à Anthropic partiu do Departamento de Comércio.
"O episódio do Fable mostra a necessidade de regras claras. Neste momento, você tem uma abordagem improvisada, personalizada, opaca e possivelmente sem amparo legal", disse Brad Carson, presidente da organização Public First, à CNN.
Os laboratórios de IA vivem um dilema. Eles correm para lançar novos modelos não só para competir entre si, mas também contra os modelos chineses de código aberto, cada vez mais capazes e muito mais baratos — uma pressão que torna qualquer atraso comercialmente custoso.
Ao mesmo tempo, autoridades de segurança e executivos crescem em preocupação com o que pode acontecer quando essas ferramentas caem em mãos erradas.
O arranjo com a OpenAI, descrito como cooperativo e não imposto por lei, pode acabar se tornando o modelo mais próximo de uma colaboração funcional entre governo e indústria de IA nos Estados Unidos — pelo menos até que exista uma regra de verdade.
Como o período de prévia do GPT-5.6 vai se desenrolar pode, na prática, definir o roteiro de lançamento de todos os grandes laboratórios de IA daqui para frente.