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Prompt bem feito pode valer mais que a própria ferramenta de IA, diz especialista (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 15h36.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 15h38.
A adoção da inteligência artificial avança rapidamente nas empresas, mas a tecnologia sozinha não garante melhores resultados. A qualidade das perguntas enviadas às ferramentas, a capacitação das equipes e a definição de regras internas têm impacto direto na produtividade e na segurança das organizações.
Ferramentas como ChatGPT, Claude e Perplexity funcionam a partir de modelos estatísticos, que preveem a sequência mais provável de palavras em uma resposta. Por isso, o resultado depende do comando enviado pelo usuário, conhecido como prompt.
Adriano Mussa é reitor e diretor acadêmico da Saint Paul Escola de Negócios e da EXAME Educação. Doutor em Finanças pela FEA-USP e pós-doutor em Inovação e Educação pela Columbia University, atua como pesquisador e professor nas áreas de inteligência artificial, finanças e transformação digital, com foco na aplicação estratégica da IA nos negócios e na formação de lideranças.
Para ele, quanto melhor a pergunta, maiores as chances de obter uma resposta útil.
Existe uma máxima da tecnologia: garbage in, garbage out. Se entrar lixo, vai sair lixo. Quanto melhor for a pergunta, melhor vai ser a resposta.

Segundo ele, a IA não substitui o conhecimento humano, mas amplia a capacidade de quem já domina determinado assunto. "Torna uma pessoa muito bem capacitada numa pessoa extremamente mais eficaz. Mas não vai transformar uma pessoa mal capacitada em bem capacitada como mágica", explica.
Profissionais com repertório conseguem avaliar e corrigir as respostas da IA; quem conhece pouco do tema corre maior risco de aceitar informações incorretas.
Embora o investimento em inteligência artificial esteja em alta, a formação das pessoas ainda representa uma fatia pequena desse esforço. Mussa cita um levantamento da Deloitte segundo o qual 93% dos investimentos corporativos em IA no mundo foram para tecnologia e infraestrutura, e apenas 7% para a capacitação das equipes.
O cenário desafia as lideranças, que passam a coordenar não só pessoas, mas também agentes de inteligência artificial nos processos de trabalho. "Essa convivência de seres humanos com agentes de IA exige uma liderança diferente", diz o especialista.
Para Mussa, o treinamento continua importante, mas precisa acompanhar a velocidade da adoção da tecnologia. "As pessoas estão nesse minuto usando IA, testando IA em todas as áreas. Por isso, a governança de IA passa a ser um tema central nas organizações", afirma.
Outro ponto de atenção é o crescimento do chamado Shadow AI, termo usado para descrever o uso de ferramentas de IA sem autorização ou supervisão da empresa.
Enquanto companhias ainda discutem políticas internas, funcionários já utilizam as plataformas por conta própria, muitas vezes em contas pessoais ou fora dos ambientes protegidos da organização.
"É certeza que um percentual enorme de colaboradores está usando ferramentas de IA, seja na versão pessoal, seja numa paga com cartão corporativo, muitas vezes longe das proteções da instituição", afirma Mussa.
Esse comportamento pode aumentar riscos à segurança da informação, ao compartilhamento de dados sensíveis e ao cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.
Para minimizar problemas, o especialista recomenda que as empresas priorizem versões corporativas das plataformas de IA, em vez de contas individuais ou gratuitas. "Na versão corporativa, existem protocolos de segurança que passam pelo crivo de cibersegurança e LGPD das instituições mais exigentes, como os bancos", explica.
Ainda assim, tecnologia não substitui políticas internas. É necessário definir orientações claras sobre quais informações podem ser compartilhadas com ferramentas de IA e quais processos exigem supervisão humana.
Independentemente da área de atuação, o avanço da inteligência artificial reforça três competências: elaborar boas perguntas, manter atualização sobre a tecnologia e compreender as políticas de uso da empresa. Esses cuidados ajudam a aproveitar o potencial da IA sem abrir mão da análise crítica e da segurança das informações.