Organizações terroristas: Classificação aconteceu depois da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca (Eduardo Bolsonaro/X/Reprodução)
Colaboradora
Publicado em 26 de junho de 2026 às 11h17.
Mais da metade (56%) dos brasileiros concordam que a decisão dos Estados Unidos sobre classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, coloca em risco os moradores que vivem em comunidades dominadas por estas facções.
Este é o principal consenso entre os diferentes grupos sociais que participaram de um estudo da Ipsos sobre a decisão do presidente americano Donald Trump.
A designação aconteceu após uma visita do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, no final de maio. Além de tratar sobre o crime organizado no Brasil, o encontro rendeu a possibilidade de novas tarifas até meados de julho.
Os brasileiros também concordam (54%) que a decisão é uma interferência dos Estados Unidos em assuntos que dizem respeito apenas ao Brasil. Apenas 35% discordam, e destes, 30% são homens e 19% são mulheres.
O instituto Ipsos ouviu 2 mil pessoas entre os dias 13 e 17 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento também questionou os entrevistados sobre diferentes aspectos do olhar de Trump ao Brasil, e uma possível intervenção na política nacional. Em quase todas as questões, o país mostra-se dividido.
Ao todo, 48% dos respondentes concordam, totalmente ou em parte, que esta decisão vai melhorar a segurança pública no Brasil, enquanto 41% discordam.
Dos que concordam totalmente com a afirmação, 41% são do sexo masculino, e apenas 26% do feminino. No recorte ideológico, 46% dos que concordam totalmente votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições gerais de 2022.
Em outra questão, 47% dos entrevistados concordam que esta medida vai prejudicar a economia brasileira, enquanto 41% discordam.
Quando questionados se esta decisão vai ameaçar o Pix, 52% acreditam que não é o caso. Apenas 33% acreditam que a ameaça ao Pix é real.
Outro aspecto delicado em uma possível intervenção é a ameaça aos recursos nacionais, como as terras raras, a região amazônica e outras riquezas brasileiras. Ao todo, 48% concordam que a decisão é uma ameaça, e outros 39% discordam.