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CEO da Palantir diz que indústria de IA tem 'tons marxistas'

Alex Karp acusa fabricantes de grandes modelos de capturar o conhecimento de clientes enquanto empresa supera projeções e eleva receita para 2026

Alex Karp: executivo é CEO da Palantir

Alex Karp: executivo é CEO da Palantir

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 12h59.

O CEO da Palantir, Alex Karp, afirmou em carta aos investidores na segunda-feira, 3, que a indústria da inteligência artificial (IA) tem "sobretons e subtons marxistas". Karp escreveu que as empresas de IA não são pagas "por cliques, tokens ou chats".

Segundo Karp, "outras companhias, incluindo muitas daquelas que constroem grandes modelos de linguagem, pretendem, consciente ou inconscientemente, capturar os meios de produção de seus supostos parceiros."

"A gamificação do desenvolvimento mais significativo da história econômica moderna nos parece inadequada. O uso de uma plataforma pode indicar seu valor, mas não é de forma alguma determinante. E muitos estão descobrindo agora que o consumo e o uso por si só muitas vezes têm pouco ou nada a ver com a produção de resultados", disse.

Em teleconferência com analistas, Karp explicou a analogia ao perguntar se as empresas iriam "apostar em um futuro" em que o trabalho ajuda seus "adversários a vencerem", segundo o TechCrunch.

"Se todos os vencedores são um pequeno grupo de pessoas vivendo em um lugar minúsculo que, de alguma forma, acreditam que, por comerem vegetais e não apoiarem combatentes, merecem ter todos os meios de produção deste país? E o resto de nós deveria simplesmente ficar de braços cruzados e absorver o custo dessa revolução, que estamos pagando", afirmou.

Karp também disse que "as limitações e falhas do complexo industrial de tokens, que ameaça ultrapassar e dominar a economia mundial, têm sido cada vez mais expostas".

Segundo ele, "no contexto empresarial, as pessoas se inscrevem para obter vantagens simbólicas a um custo real, como outras formas de prazer pessoal".

"Você está pagando pelo direito de eles migrarem sua propriedade intelectual, seu know-how, sua expertise para o modelo deles, para que possam construir um negócio competitivo que não precise da sua empresa ou das suas pessoas. E por que eles fazem isso? Na verdade, eles fazem isso por razões que consideram morais. Eles são superiores a você. Eles merecem colonizar sua empresa", disse. "Sempre recusamos, e continuaremos a recusar, qualquer relação parasitária com nossos parceiros."


A carta foi divulgada no mesmo dia do balanço trimestral da empresa, que ficou acima das expectativas do mercado.

A receita somou US$ 1,935 bilhão, 7,2% acima da estimativa compilada pela FactSet, e o lucro ajustado por ação subiu 156%, para US$ 0,41, ante consenso de US$ 0,34.

A ação da Palantir, que encerrou o pregão regular a US$ 125,65, subiu 11,36% no after-hours, para US$ 139,92.

A maior elevação de projeção já feita pela empresa

A Palantir revisou para cima a estimativa de receita de 2026 para uma faixa entre US$ 8,15 bilhões e US$ 8,16 bilhões, ante o intervalo anterior de US$ 7,65 bilhões a US$ 7,66 bilhões.

É um acréscimo de cerca de US$ 500 milhões, descrito pela própria companhia como a maior revisão anual de sua história.

A projeção de receita comercial nos Estados Unidos passou de US$ 3,22 bilhões para mais de US$ 3,42 bilhões.

A pontuação da companhia na Regra de 40 — métrica que soma taxa de crescimento e margem operacional, e cuja soma acima de 40 indica equilíbrio saudável entre expansão e rentabilidade — chegou a 155%.

  • Receita total EUA: US$ 1,573 bilhão (+115%)

  • Segmento Comercial: US$ 764 milhões (+149%)

  • Segmento Governamental: US$ 809 milhões (+90%)

O que o mercado esperava?

O balanço era tratado como teste de fundamentos depois de uma correção no valuation ao longo do ano.

Citi e Oppenheimer mantinham preço-alvo de US$ 200. O mercado de opções precificava oscilação de 15,32% em qualquer direção, cerca do dobro da variação média da ação após resultados anteriores.

Do lado cético, o investidor Michael Burry mantém posição vendida no papel e descreve o ambiente atual de mercado como os últimos meses da bolha de 1999 e 2000.

Após a divulgação, a D.A. Davidson elevou a recomendação para compra.

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