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(Odd ANDERSEN/AFP)
Repórter
Publicado em 7 de julho de 2026 às 09h59.
Mesmo antes de entrar em campo contra o Brasil no domingo, 5, e fazer os dois gols que decretaram a eliminação da seleção da Copa do Mundo de 2026, Erling Haaland já era um dos rostos mais conhecidos do torneio — só que fora das quatro linhas, e quase sempre em cenas que nunca aconteceram.e
Nas redes sociais, o artilheiro norueguês tomou um susto de si mesmo no espelho, dançou com pompons e virou uma das loiras numa releitura de "As Branquelas" ao lado de Vinícius Júnior.
Nenhuma dessas cenas foi real: todas foram fabricadas por inteligência artificial (IA) generativa, e todas viralizaram durante a Copa. Haaland se tornou a matéria-prima favorita das ferramentas de criação de vídeo.
E ele é só o caso mais visível de um fenômeno que tomou conta do torneio: o de uma geração que transforma o jogador em meme na velocidade de uma rolagem de tela.
Haaland não foi o único. A IA generativa transformou vários protagonistas do Mundial em personagens de comédia, e o Brasil rendeu alguns dos virais mais comentados nas redes.
Um dos casos envolveu Endrick. Diante da decisão do técnico Carlo Ancelotti de manter o atacante de 19 anos no banco, circularam vídeos criados por IA que mostravam o treinador fazendo qualquer coisa — cozinhar, dançar, dormir — menos escalar o jovem para jogar.
A brincadeira começou no X e passou a ser reproduzida também por perfis de fora do Brasil.
Neymar virou alvo de outra série. A fama de o camisa 10 se lesionar rendeu montagens em que a IA o "blindava" com maca motorizada, plástico-bolha e até um andador de bebê.
Ancelotti ganhou o próprio viral: depois da vitória sobre o Japão, um vídeo feito por IA mostrou o italiano dançando "Arigato Sayonara", do É O Tchan — uma cena que nunca aconteceu, mas que muita gente tomou por real.
A escolha dos alvos tem lógica de mercado. O vínculo do torcedor mais jovem com o esporte se deslocou do time para o atleta, e as pesquisas mediram esse movimento.
Um estudo da empresa de tecnologia esportiva WSC Sports, feito em outubro de 2025 com 1.050 torcedores dos Estados Unidos, apontou que a geração Z se sente mais conectada a jogadores individuais (31%) do que a times (27%).
O motor dessa relação são as redes sociais.
Segundo pesquisa da consultoria Oliver Wyman, o conteúdo publicado por atletas é o maior impulsionador do engajamento da geração Z com esporte: 63% dos jovens dizem que o material dos seus jogadores favoritos aumenta o interesse, ante 42% das gerações mais velhas.
Quando o fã segue a pessoa, e não o escudo, é o rosto da pessoa que os algoritmos aprendem a explorar.
A Noruega eliminou o Brasil nas oitavas, com os dois gols de Haaland no MetLife, e seguiu no torneio.
Mas, muito antes do apito final, o norueguês já resumia a marca desta edição como a primeira Copa da era da IA generativa.