Endrick: jogador ganhou destaque nas redes sociais (Jewel SAMAD / AFP/AFP)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de junho de 2026 às 09h10.
Nos bancos da Copa do Mundo, um menino de 19 anos se tornou protagonista do que pode ser a maior onda de memes da edição do Mundial de 2026. Endrick, atacante da Seleção Brasileira, virou o nome mais comentado do torneio entre os brasileiros sem quase pisar no gramado — e justamente por isso.
A piada que move tudo é a de que o técnico Carlo Ancelotti, por algum motivo que ninguém sabe explicar direito, simplesmente não quer botar o garoto para jogar.
O fenômeno ganhou nome — "Endrickmania" — e funciona na lógica inversa de tudo o que costuma valer no futebol: quanto menos o atacante entra em campo, mais ele aparece.
A cada minuto que Endrick passa no banco, as redes sociais respondem com uma nova leva de montagens, vídeos e piadas sobre a suposta implicância do treinador italiano com a joia.
A fagulha foi a estreia do Brasil no Mundial, o frustrante empate em 1 a 1 com o Marrocos.
Endrick ficou os 90 minutos no banco, sem entrar, e a torcida — já ansiosa pela joia — transformou a irritação em humor.
A plataforma X foi inundada por memes sugerindo uma rixa entre jogador e treinador, muitos deles apoiados no histórico real dos dois: no Real Madrid, Ancelotti também administrou os minutos de Endrick com parcimônia, raramente o escalando como titular.
A piada pegou tão rápido que extrapolou as fronteiras do Brasil.
"Os memes de Ancelotti e Endrick são história das Copas do Mundo. Insuperáveis", escreveu o jornalista espanhol Rodrigo Fáez, num resumo do tamanho que o fenômeno alcançou.
Nesta quarta-feira, 24, virou reportagem do The Athletic, do New York Times.
A pressão saiu das telas e chegou ao estádio.
Na segunda partida do Brasil, a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, em Filadélfia, Endrick finalmente entrou — aos 63 minutos, no lugar de Matheus Cunha — e foi recebido com uma ovação da arquibancada, num recado direto a Ancelotti.
Ele até balançou as redes, mas o gol foi anulado por impedimento.
A cena resumiu o paradoxo da Endrickmania: o jogador mais aclamado pela torcida é também um dos que menos jogam. E a torcida não esconde de quem cobra. Os memes, em sua maioria, miram o treinador — não o atleta.
O italiano não fugiu do assunto, mas manteve a serenidade que o consagrou. Antes do jogo contra o Haiti, Ancelotti afirmou que vai usar o jovem na hora certa.
"Vou colocar o Endrick no momento certo. Teremos que esperar um pouco. Ele vai ser importante nesta Copa", disse o treinador, que classificou o atacante como "um talento extraordinário".
Ancelotti também elogiou a maturidade do garoto diante da situação.
"Ele é paciente, não tem pressa e é muito maduro para a idade dele", afirmou. "Isso é um aspecto muito importante."
O treinador completou dizendo que o Brasil vai aproveitar as qualidades de Endrick "nesta Copa e na próxima também".
O alvo involuntário de toda a brincadeira fez questão de desarmar a narrativa de conflito. Depois do jogo contra o Haiti, Endrick saiu em defesa do treinador.
"Passei um ano com ele no Real Madrid, graças a Deus pude jogar muitos jogos", disse o atacante. "Ele sabe o que eu faço quando entro, dou tudo pela equipe, e ele sabe muito bem disso."
O jovem foi além e defendeu a lógica das escolhas do treinador.
Endrick: jogador virou fenômeno nas redes sociais (Richard Callis/Sports Press Photo/Getty Images)
"Ele é um grande treinador, tem a cabeça no lugar. Ele não vai fazer o que é melhor para o Endrick, nem o que é melhor para a torcida — vai fazer o que é melhor para a equipe", afirmou.
Por trás do fenômeno de internet, há uma das histórias mais marcantes do futebol brasileiro recente.
Nascido em Taguatinga, no Distrito Federal, Endrick passou parte da infância em situação de extrema pobreza — chegou a viver com a família em um quarto dentro de um centro de treinamento do Palmeiras, depois que o pai conseguiu emprego no clube. Foi nas categorias de base alviverdes que ele explodiu: 165 gols em 169 jogos.
O talento precoce o levou rápido ao profissional. Endrick estreou pelo Palmeiras aos 16 anos, ganhou dois títulos brasileiros e foi negociado com o Real Madrid ainda menor de idade, por cerca de 70 milhões de euros — contrato que só passou a valer quando ele completou 18 anos, em 2024.
Brazil com Z: cidade nos EUA com 8 mil habitantes terá exibição especial de Brasil x EscóciaNa Espanha, porém, encontrou a realidade de um elenco lotado de estrelas: foram sete gols em 37 jogos na primeira temporada, a maioria entrando no segundo tempo.
Com a chegada de Xabi Alonso ao comando do Real Madrid, o espaço diminuiu ainda mais, e Endrick foi emprestado ao Lyon, da França, em busca de minutos.
A escassez de jogos chegou a ameaçar sua presença na Copa — mas o talento falou mais alto, e Ancelotti o convocou para o Mundial. Agora, o desafio do jogador é fazer o que a internet já fez por ele: sair do banco e virar protagonista também dentro de campo.