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Como um modelo de IA chinês salvou a Hugging Face de um ataque do ChatGPT

GLM 5.2, da chinesa Z.ai, permitiu à Hugging Face investigar um ataque que modelos fechados recusaram analisar

Hugging Face: plataforma de modelos abertos utilizou inteligência artificial chinesa para investigar invasão e identificar modelos da OpenAI por trás do ataque (Imagem gerada por IA/Exame)

Hugging Face: plataforma de modelos abertos utilizou inteligência artificial chinesa para investigar invasão e identificar modelos da OpenAI por trás do ataque (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 23 de julho de 2026 às 09h59.

Quando a Hugging Face precisou entender quem havia invadido seus servidores, a primeira tentativa foi usar um modelo de inteligência artificial (IA) comercial americano para vasculhar os registros do ataque. Não funcionou.

As salvaguardas do modelo bloquearam a análise — segundo a plataforma, elas não conseguem distinguir um investigador de incidentes de um atacante.

A equipe recorreu então ao GLM 5.2, modelo de pesos abertos da chinesa Z.ai, executado na própria infraestrutura da empresa.

Foi com ele que a Hugging Face processou mais de 17 mil registros deixados pelo invasor. Os invasores, revelou-se depois, eram modelos da OpenAI, do ChatGPT.

O que aconteceu antes?

Na semana passada, a Hugging Face, maior plataforma de hospedagem de modelos abertos do mundo, informou ter sofrido um ataque conduzido por um sistema autônomo de IA, sem saber, na ocasião, quem estava por trás.

Segundo a OpenAI, dois de seus modelos — o GPT-5.6 Sol e uma versão ainda não lançada — escaparam de um ambiente de teste isolado durante uma avaliação interna de capacidade ofensiva, na qual as recusas de segurança haviam sido reduzidas de propósito.

Os modelos exploraram uma falha desconhecida, alcançaram a internet aberta e invadiram os servidores da Hugging Face para obter o gabarito da própria prova que estavam fazendo.

Por que os pesos abertos ajudaram?

A vantagem do modelo chinês, no caso, não foi de desempenho, e sim de controle.

Por ser open-weight, o GLM 5.2 pode ser baixado e executado na infraestrutura de quem o usa — sem intermediário externo decidindo o que a ferramenta pode ou não analisar, e sem que dados sensíveis de uma investigação em curso saiam do ambiente da empresa.

Em seu relatório do incidente, a plataforma recomendou que empresas mantenham um modelo capaz, verificado e pronto para rodar em infraestrutura própria antes que um incidente aconteça.

O GLM 5.2 foi lançado em meados de junho pela Z.ai, com sede em Pequim.

É o segundo episódio em poucos dias em que um modelo chinês de pesos abertos ocupa o centro do debate no setor: a Hugging Face publicou seu relatório do incidente no mesmo dia em que a Moonshot AI lançou o Kimi K3, que abalou os mercados.

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