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Claude terá marca d’água em textos e arquivos gerados por inteligência artificial

Marcação será aplicada globalmente a textos e arquivos gerados pelo Claude, mesmo fora da União Europeia, e poderá sobreviver a edições

Claude: Anthropic anunciou novas medidas para entrar na legislação da UE (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Claude: Anthropic anunciou novas medidas para entrar na legislação da UE (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08h55.

A Anthropic vai incorporar marca d'água em todo texto e arquivo gerado pelo Claude, como parte do compromisso assumido com as regras de transparência do Ato de IA da União Europeia (UE). O anúncio foi feito na segunda-feira, 10, em documento de suporte publicado pela empresa.

"Textos gerados carregarão marcas d'água embutidas, e arquivos gerados incluirão metadados de proveniência assinados digitalmente, onde houver suporte", informou a companhia.

A empresa assinou o Código de Prática do Artigo 50(2), norma voluntária do bloco europeu que passou a valer legalmente em 2 de agosto. O artigo exige que provedores de IA sinalizem de forma transparente o conteúdo que geram, para que usuários finais, plataformas e reguladores consigam diferenciá-lo de material criado por humanos.

Um alcance maior que o exigido

Nada na norma europeia obriga a aplicar a marcação fora do bloco, mas a Anthropic decidiu fazê-lo mesmo assim.

"A marcação vai se aplicar à saída de modelos com suporte, onde quer que o Claude seja oferecido, no mundo todo", afirmou a empresa.

Isso inclui a Claude Platform (API), o aplicativo Claude, o Claude Code, o Claude Cowork e o Claude Tag, além de provedores terceirizados dos modelos da Anthropic, como AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry.

Qualquer modelo Claude lançado a partir de 2 de agosto de 2026 já vem com a marcação ativa. Modelos anteriores a essa data estão em processo de adaptação, no que a empresa chama de suporte de marcação transicional.

Como funciona?

Para texto, a técnica consiste em enviesar sutilmente a escolha de palavras durante a geração — em vez de escolher sempre a palavra mais provável, o modelo passa a favorecer levemente certos termos, num padrão que um algoritmo de detecção consegue identificar depois.

"Quando um modelo Claude com suporte gera texto, ele tece uma marca d'água imperceptível diretamente no próprio texto", disse a empresa. "Você não vai vê-la, e ela não muda o significado, a qualidade ou a legibilidade da resposta do Claude."

Segundo a companhia, a marca permanece mesmo depois de copiar e colar o conteúdo, e pode sobreviver a alguma edição posterior.

Para arquivos de imagem — .svg, .png e .jpg —, a marcação segue outro caminho: metadados de proveniência assinados no padrão C2PA, consórcio técnico que já desenvolve esse tipo de rastreamento no setor.

O que a própria empresa admite não funcionar

A Anthropic afirma que o sistema tem um limite e que "uma marca detectada fornece um sinal de que o conteúdo foi processado pelo Claude, mas não é totalmente conclusiva".

A marca pode estar ausente se o conteúdo foi editado, parafraseado ou gerado por um modelo anterior ao início da marcação.

E, segundo reportagem do City AM, o sistema também pode marcar texto originalmente escrito por um humano, caso ele tenha sido posteriormente editado ou processado pelo Claude — o que complica, em vez de esclarecer, a tentativa de determinar quem de fato escreveu um conteúdo.

A ‘grande teia’ da IA: quem sustenta os bilhões da corrida tecnológica?

Pesquisadores já demonstraram que marcas d'água aplicadas a imagens podem ser removidas. Para texto, a robustez da técnica segue sendo questionada.

A reação dos usuários

Segundo o site The Register, clientes do Claude reagiram com ceticismo ao anúncio, e o movimento pode reforçar o apelo de modelos de pesos abertos entre quem não quer que o próprio conteúdo gerado por IA carregue rastro de origem identificável.

A publicação lembra que usuários do Claude já haviam expressado frustração recorrente com mudanças de preço, problemas de confiabilidade e salvaguardas de segurança que, segundo relatos, atrapalham o trabalho legítimo em nome da própria segurança.

A Anthropic afirma que pretende divulgar, em documentação futura, detalhes sobre como terceiros poderão detectar as marcas do Claude — exigência também prevista na legislação europeia.

Acompanhe tudo sobre:AnthropicUnião Europeia

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