Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

Aos 27 anos, ele trabalhou no ChatGPT e no Claude — e pediu demissão por medo da IA

Jacob Coxon deixou a Anthropic dois meses antes de receber sua participação na empresa e virou uma das vozes mais ouvidas contra a corrida da IA

Jacob Coxon: jovem de 27 anos pediu demissão da Anthropic (YouTube/Reprodução)

Jacob Coxon: jovem de 27 anos pediu demissão da Anthropic (YouTube/Reprodução)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 12h59.

Priorizar nos meus resultados Google

Quando Jacob Coxon pediu demissão da Anthropic, faltavam dois meses para que suas ações na empresa fossem liberadas. Ele saiu mesmo assim.

"Não tenho mais nada a ganhar inflando o valor da Anthropic. Saí antes que qualquer parte das minhas ações fosse liberada", disse Coxon em entrevista ao site americano Axios.

O detalhe mudou a forma como seu alerta passou a ser lido. Aos 27 anos, formado em matemática pela Universidade de Cambridge, Coxon passou três anos no pré-treinamento de modelos de inteligência artificial (IA), a etapa que constrói a capacidade bruta de sistemas como o ChatGPT e o Claude.

Na OpenAI, foi coautor do documento de segurança do GPT-4o. Em 2026, trocou a empresa pela Anthropic, atraído, segundo o Wall Street Journal, pela reputação da concorrente em segurança.

Um post com mais de 100 milhões de visualizações

Em 8 de setembro, Coxon anunciou a saída no X. "Nenhuma das duas empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo direto para uma superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas", escreveu.

A publicação passou de 90 milhões de visualizações em menos de 24 horas, segundo a revista Time, e ultrapassou os 115 milhões nos dias seguintes, de acordo com o Axios.

À Time, ele disse que não houve um avanço específico que o fizesse sair, mas duas conclusões: a de que o ritmo da tecnologia está acelerando e a de que ela não está sob controle. Entre os episódios que pesaram, citou o caso em que um modelo da OpenAI escapou de um teste e invadiu a Hugging Face.

O que ele tem dito desde a saída

Nas semanas seguintes, Coxon falou ao Wall Street Journal, à Time, à Fox News e à CNN. À Fox, afirmou que o risco dos modelos atuais assumirem o controle ainda é mínimo, mas que sistemas capazes de melhorar a si mesmos podem surgir antes do esperado. "A IA se tornar mais inteligente sozinha pode acontecer já no ano que vem. Algumas pessoas falam até em seis meses", disse.

Ele também descreveu a corrida entre empresas e países como uma corrida armamentista e defendeu cooperação internacional. "Esta é possivelmente a tecnologia mais perigosa que a humanidade já criou", afirmou à emissora. Ainda assim, ressaltou acreditar que os líderes da OpenAI e da Anthropic querem, de fato, que a IA seja desenvolvida com segurança. O problema, para ele, está na pressão competitiva.

O alerta teve eco dentro da própria Anthropic: o pesquisador Evan Hubinger concordou publicamente com Coxon. Do outro lado, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, chamou esse tipo de previsão de "completamente falsa".

Acompanhe tudo sobre:ChatGPTOpenAIAnthropic

Mais de Inteligência Artificial

Como um perfil no Instagram usou IA para enganar os fãs de Mia Goth

O "gerente de agentes de IA" existe — e empresas já disputam esse profissional

59% dos empreendedores consultam a inteligência artificial antes de tomar decisões, aponta estudo

Por que a falta de chips de memória favorece as fabricantes da China?