Família de Dolly Parton confirmou a morte da cantora nesta terça-feira, 25.
Repórter
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 15h06.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 15h25.
A cantora Dolly Parton morreu nesta terça-feira, 25, aos 80 anos. A morte foi confirmada pela família da artista por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
A artista norte-americana construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras da música country. Cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa, ela saiu de uma família pobre das montanhas do Tennessee para se tornar uma das artistas mais reconhecidas da cultura popular dos Estados Unidos. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, escreveu clássicos como "Jolene", "Coat of Many Colors" e "I Will Always Love You", vendeu milhões de discos e levou sua atuação também para o cinema e os negócios.
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Locust Ridge, no Tennessee, e foi a quarta de 12 filhos. Criada em uma região rural dos Montes Apalaches, cresceu em uma família com poucos recursos, mas cercada pela música. A mãe cantava e o avô era pregador e músico. A própria infância acabaria servindo de matéria-prima para parte importante de suas composições.
Um dos exemplos mais conhecidos é "Coat of Many Colors", lançada em 1971. A canção foi inspirada em um episódio da infância de Parton, quando sua mãe costurou para ela um casaco feito com retalhos e a futura cantora foi alvo de zombarias dos colegas na escola. A história se transformou em uma das músicas mais associadas à sua trajetória.
Parton começou a se apresentar ainda criança. Aos 10 anos, já participava de um programa de televisão em Knoxville graças ao incentivo do tio Bill Owens. Aos 13, fez sua primeira participação no Grand Ole Opry, tradicional programa e palco da música country americana.
Depois de terminar o ensino médio, em 1964, mudou-se para Nashville determinada a seguir carreira profissional. Inicialmente, chamou atenção como compositora. Pouco depois, começou a conquistar espaço também como intérprete. "Dumb Blonde", lançada na década de 1960, tornou-se seu primeiro sucesso a entrar no Top 40 da parada country americana.
A grande virada aconteceu em 1967, quando Parton passou a integrar o programa de televisão de Porter Wagoner, uma das figuras conhecidas da música country naquele período. A dupla se tornou popular e ajudou a apresentar Dolly a uma audiência nacional. A RCA Records então a contratou como artista solo e também como parceira musical de Wagoner.
A carreira individual começou a crescer rapidamente. Em 1971, "Joshua" se tornou seu primeiro single solo a alcançar o primeiro lugar da parada country. Poucos anos depois viria uma sequência que ajudaria a definir sua carreira.
Em 1974, Parton chegou ao topo das paradas country com "Jolene", "Love Is Like a Butterfly" e "I Will Always Love You". Esta última foi escrita quando ela decidiu encerrar a parceria profissional com Wagoner e seguir definitivamente seu próprio caminho.
"I Will Always Love You" teria ainda uma segunda vida décadas depois. Em 1992, Whitney Houston gravou a composição para o filme "O Guarda-Costas". A interpretação se tornou um fenômeno mundial e apresentou a música de Parton a uma nova geração.
Na segunda metade dos anos 1970, Parton começou a ampliar deliberadamente seu público para além da música country. O álbum "Here You Come Again", de 1977, marcou uma fase de maior aproximação com o pop. No ano seguinte, ela recebeu da Country Music Association o prêmio de Artista do Ano.
A expansão chegou também a Hollywood. Em 1980, Parton estreou no cinema em "9 to 5", ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Além de atuar, escreveu a música-tema do longa. A canção "9 to 5" chegou ao topo das paradas pop, country e adult contemporary nos Estados Unidos, recebeu indicação ao Oscar e rendeu dois Grammys.
Parton continuou atuando nas décadas seguintes, com filmes como "The Best Little Whorehouse in Texas" e "Steel Magnolias". Ao mesmo tempo, manteve uma produção musical constante e realizou parcerias com nomes como Kenny Rogers, Emmylou Harris e Linda Ronstadt.
Em 1987, lançou com Harris e Ronstadt o álbum "Trio", projeto que se tornou um dos trabalhos mais conhecidos das três artistas. Nos anos seguintes, Parton alternaria incursões pelo pop com retornos às raízes do country, gospel e bluegrass.
A trajetória de Parton não ficou restrita ao entretenimento. Em 1986, ela se tornou coproprietária do parque temático que passaria a se chamar Dollywood, em Pigeon Forge, no Tennessee. O empreendimento ajudou a transformar sua imagem artística em uma marca que se estendeu para diferentes áreas de negócios e, ao mesmo tempo, manteve forte ligação com a região onde ela cresceu.
Em 2007, criou sua própria gravadora, a Dolly Records. Dois anos depois, "9 to 5" ganhou uma versão musical na Broadway. Parton escreveu as músicas e letras da produção e recebeu uma indicação ao Tony de melhor trilha sonora original.
Sua capacidade de transitar entre diferentes mercados tornou-se uma característica da carreira. O Rock & Roll Hall of Fame destaca Parton não apenas como compositora e intérprete, mas também como uma empresária que estabeleceu novos padrões de controle artístico sobre a própria obra.
Ao longo das décadas, Dolly Parton acumulou algumas das principais distinções da indústria cultural americana. Entrou para o Country Music Hall of Fame em 1999 e para o Songwriters Hall of Fame em 2001. Recebeu o Living Legend Award da Biblioteca do Congresso em 2004, a National Medal of Arts em 2005 e o Kennedy Center Honors em 2006. Em 2011, recebeu o prêmio pelo conjunto da obra da Recording Academy.
Em 2022, foi incluída no Rock & Roll Hall of Fame, reconhecimento que simbolizou a dimensão alcançada por uma carreira que começou essencialmente dentro da música country e terminou influenciando artistas de diferentes gêneros e gerações.
Fora dos palcos, Parton também construiu uma extensa atuação filantrópica. Uma das iniciativas mais conhecidas foi a Imagination Library, programa criado para distribuir gratuitamente livros a crianças. Ela também destinou US$ 1 milhão à pesquisa que contribuiu para o desenvolvimento de uma das vacinas contra a covid-19.
Dolly Parton morreu nesta terça-feira, 25 de agosto, aos 80 anos. A morte foi confirmada pela família em um vídeo publicado nas redes sociais.
A artista deixa uma obra construída ao longo de mais de 60 anos e um repertório que atravessou gerações. Segundo a Reuters, Parton escreveu cerca de 3 mil músicas ao longo da vida, das quais aproximadamente 450 foram gravadas. Mais do que a imagem extravagante, o cinema ou os empreendimentos que carregaram seu nome, era como compositora que ela dizia querer ser lembrada.
*Em atualização.