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Parte histórica da Fórmula 1 em Monza é aberta ao público e pode ser percorrida a pé ou de bicicleta

Traçado oval do tradicional circuito italiano foi abandonado após uma corrida marcada por uma das maiores tragédias do automobilismo

Fórmula 1: pista de Monza ficou marcada por diversas tragédias ( (Foto: Paul-Henri Cahier/Getty Images))

Fórmula 1: pista de Monza ficou marcada por diversas tragédias ( (Foto: Paul-Henri Cahier/Getty Images))

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 14h41.

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Poucos lugares carregam tanta história do automobilismo quanto o Autódromo Nazionale di Monza. Inaugurado em 1922 para receber o Grande Prêmio da Itália, o circuito italiano nasceu com uma proposta que hoje parece quase inimaginável: reunir, dentro do mesmo complexo, diferentes configurações de pista e permitir que os carros alcançassem velocidades extremas.

Durante seus primeiros anos, Monza rapidamente se transformou em um dos principais palcos do automobilismo europeu. O circuito combinava um traçado misto de 5,7 quilômetros com um oval de aproximadamente 4,2 quilômetros, conectado à reta principal. A configuração oval era especialmente impressionante pela quantidade de velocidade envolvida.

Mas a história de Monza também foi marcada por episódios sombrios. Logo no ano de inauguração, o piloto Fritz Kuhn morreu após sofrer um acidente durante os treinos. Em 1928, Emilio Materassi perdeu o controle de seu carro, atingiu uma estrutura na pista e morreu. O acidente também provocou a morte de 22 espectadores.

A sequência de tragédias chegou a um dos capítulos mais conhecidos em 1933, quando três pilotos morreram durante o Grande Prêmio da Itália. O episódio ficou conhecido como o "Dia Negro de Monza".

1961: o dia que mudou o circuito

A transformação definitiva da história do oval aconteceu em 10 de setembro de 1961. Naquele domingo, aproximadamente 150 mil pessoas ocupavam as arquibancadas para acompanhar o Grande Prêmio da Itália. A Ferrari vivia uma situação favorável na disputa pelo campeonato, e Wolfgang von Trips chegava à corrida como líder do Mundial.

O alemão tinha 33 pontos, quatro a mais que seu companheiro de equipe, Phil Hill. Uma vitória, combinada com um resultado de Hill fora do pódio, seria suficiente para garantir o título antecipadamente.

A corrida, porém, terminou envolta em uma tragédia que ultrapassou os limites do esporte. Durante a disputa, Von Trips se envolveu em um acidente com Jim Clark na região que levava à Parabolica. A Ferrari do alemão perdeu o controle, foi lançada sobre o barranco e acabou ultrapassando a proteção que separava a pista do público.

O piloto morreu no impacto. Quinze espectadores também foram atingidos e perderam a vida.

Mesmo diante da dimensão do acidente, a prova não foi interrompida. Phil Hill venceu o Grande Prêmio e conquistou o campeonato mundial, mas a celebração da Ferrari ficou inevitavelmente em segundo plano diante da tragédia. O episódio passou a ser considerado um dos acidentes mais graves da história da Fórmula 1.

O oval desapareceu das corridas

Depois daquele dia, o trecho oval deixou de fazer parte do calendário da Fórmula 1. A configuração de alta velocidade permaneceu como uma espécie de testemunha física de uma época em que os carros eram levados a velocidades cada vez maiores, mas já não voltou a receber uma corrida da principal categoria do automobilismo.

Com o passar dos anos, Monza ganhou diferentes chicanes e alterações destinadas a reduzir a velocidade dos carros. A pista moderna é bem diferente daquela utilizada nas primeiras décadas da categoria, embora continue sendo conhecida pelo caráter veloz.

O antigo oval, entretanto, não desapareceu completamente. O traçado foi repavimentado em 2014 e permanece acessível aos visitantes, segundo o ge. Atualmente, é possível percorrer parte desse trecho histórico a pé ou de bicicleta, transformando uma antiga pista de competição em uma espécie de museu a céu aberto do automobilismo.

Mesmo sem o oval, Monza continua veloz

A reputação de Monza como uma das pistas mais rápidas do mundo não ficou presa ao passado. O circuito italiano ainda é conhecido pela velocidade média extremamente elevada. O recorde é de 264 km/h, estabelecido por Lewis Hamilton em 2020, quando o piloto da Mercedes conquistou a pole position para o Grande Prêmio da Itália.

A marca ajuda a explicar por que Monza recebeu o apelido de "Templo da Velocidade". A pista atual preserva parte da filosofia que marcou sua construção: longas retas, curvas rápidas e pouco espaço para erros. A diferença é que, ao longo de mais de um século, a segurança passou a ocupar um papel muito maior no desenho do circuito.

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