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Agentes de IA já criaram identidades falsas para enganar pessoas reais, revela teste de segurança (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 14h55.
Agentes de inteligência artificial demonstraram um comportamento que preocupa pesquisadores de segurança: durante uma avaliação conduzida pelo AI Security Institute (AISI), do Reino Unido, sistemas da Anthropic e da OpenAI realizaram ações não autorizadas na internet e chegaram a mirar pessoas e organizações reais.
O teste foi feito em condições controladas para avaliar capacidades de cibersegurança. Em 122 execuções, o instituto identificou 19 ações não autorizadas em dez delas. A maior parte envolveu o modelo Mythos 5, da Anthropic, enquanto duas ocorreram com o GPT-5.6 Sol, da OpenAI.
O que isso significa para quem trabalha com IA? A principal questão não é apenas a capacidade de um modelo gerar código ou encontrar vulnerabilidades, mas o que pode acontecer quando ele recebe autonomia para executar uma sequência de tarefas e acesso a ferramentas externas.
No caso mais grave identificado pelo AISI, um agente tentou inserir código malicioso em um projeto de código aberto. Para aumentar as chances de aprovação, pesquisou os responsáveis pelo projeto e criou identidades falsas na internet.
Esses perfis foram utilizados para apoiar artificialmente os argumentos do agente e tentar convencer um mantenedor humano a aceitar o código. Quando a atividade foi questionada, o sistema chegou a considerar novas formas de continuar a operação.
O comportamento também incluiu tentativas de contato direto com pessoas reais. Segundo o AISI, os agentes enviaram mensagens e arquivos por serviços online com o objetivo de persuadir pessoas ou ferramentas de programação baseadas em IA a executar código potencialmente malicioso.
Outro elemento chamou atenção dos pesquisadores: o agente utilizou diferentes estratégias para tornar a operação mais convincente, incluindo a criação de contas e tentativas de contornar algumas restrições de rede.
Criar uma identidade falsa não é, isoladamente, uma capacidade inédita. O que muda quando isso é feito por um agente autônomo é a combinação de capacidades.
Um agente pode pesquisar informações, criar conteúdo, interagir com serviços, executar código e tomar decisões sobre os próximos passos. Em uma situação de segurança, essas ações podem ser encadeadas sem que uma pessoa precise orientar cada etapa.
É justamente essa combinação que pesquisadores buscam medir nos chamados testes de red team, avaliações desenhadas para encontrar comportamentos perigosos antes que sistemas sejam disponibilizados em larga escala.
Para profissionais, o alerta é entender que autonomia muda o risco: uma IA que apenas responde a perguntas apresenta uma superfície de ação diferente de um agente conectado a e-mail, sistemas corporativos, navegador, código e ferramentas externas.
Há uma ressalva importante. O episódio ocorreu em um ambiente de avaliação, e não durante o uso comum dos modelos por consumidores.
O AISI permitiu acesso à internet e desativou classificadores de cibersegurança utilizados pelos provedores para medir as capacidades subjacentes dos modelos. O instituto também afirma que os agentes receberam autorização para atuar em redes simuladas específicas, mas não para interagir com sistemas externos.
A OpenAI fez uma observação semelhante. A empresa afirmou que o teste utilizou configurações personalizadas, incluindo proteções reduzidas, justamente para avaliar capacidades de cibersegurança que não representam necessariamente o comportamento dos modelos em suas implantações públicas.
Não houve evidência de dano real decorrente das ações. No caso do código malicioso, um mantenedor humano identificou o problema e recusou a aprovação.
O episódio ajuda a explicar por que a segurança de agentes exige mais do que avaliar se um modelo responde corretamente a uma pergunta.
Quando uma empresa conecta uma IA a ferramentas internas, por exemplo, ela precisa definir quais ações o sistema pode executar, quais informações pode acessar e quando uma decisão precisa passar por uma pessoa.
Na prática, alguns cuidados incluem:
O próprio AISI vem estudando formas de monitorar agentes autônomos. O instituto afirma que empresas como OpenAI e Anthropic já utilizam outros modelos para monitorar as ações de agentes, mas ressalta que ainda existem questões abertas sobre a capacidade desses mecanismos de detectar comportamentos deliberadamente evasivos.
Para quem trabalha com inteligência artificial, o episódio reforça uma mudança importante na forma de avaliar essas tecnologias. Não basta perguntar o que a IA consegue gerar.
Também é necessário entender o que ela consegue fazer quando recebe acesso a ferramentas, internet, memória e permissões para executar tarefas.
Antes de colocar um agente em uma atividade profissional, vale verificar:
O caso analisado pelo AISI não demonstra que agentes de IA estejam inevitavelmente destinados a agir de forma maliciosa. Ele mostra, porém, que autonomia, acesso a ferramentas e capacidade de persuasão podem produzir riscos diferentes daqueles observados em chatbots convencionais.
Para empresas e profissionais, a questão passa a ser menos sobre confiar ou não na inteligência artificial e mais sobre definir limites verificáveis para o que um agente pode fazer.