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FTX, Voyager, Celsius, Terra: as maiores falências de empresas cripto em 2022

Setor de criptoativos passou por duas grandes crises, com uma série de quebras de companhias relevantes, ao longo do ano

Corretora de criptoativos FTX simbolizou ano de grande falências no setor (Reuters/Reuters)

Corretora de criptoativos FTX simbolizou ano de grande falências no setor (Reuters/Reuters)

O ano de 2023 vai começar com uma série de diferenças no mercado de criptoativos, em especial com relação às ausências na comparação com 2022. Isso porque algumas das maiores empresas do setor acabaram passando por problemas financeiros e entrando em falência ao longo do ano, prejudicando todo o segmento.

De corretoras de criptoativos a empresas que realizam empréstimos com moedas digitais, a combinação de um ambiente macroeconômico desfavorável com fraquezas internas e práticas ilegais acabaram criando um terreno fértil para o colapso de diversas companhias importantes, incluindo algumas consideradas sólidas e promissoras.

Apesar de ter sido um dos maiores símbolos desse ano difícil, a exchange FTX não foi a única que entrou em falência em 2022. Relembra as principais quebras no mercado ao longo do ano:

Terra

A sequência de grandes quebras no mercado de criptoativos teve início no mês de maio, com o colapso do blockchain Terra, que levou consigo a Terraform Labs, empresa de Do Kwon que foi responsável por desenvolver o agora fracassado projeto.

Inicialmente considerado uma das iniciativas mais promissoras do setor, a desvalorização da criptomoeda da rede, a Luna, gerou um efeito dominó que fez com que a UST, stablecoin atrelada ao dólar criada por Do Kwon, perdesse sua paridade com o dólar, intensificando um rápido movimento de vendas em massa por parte dos investidores.

(Mynt/Divulgação)

Em questão de dias, a Luna desvalorizou mais de 99%, a UST perdeu toda a parcela de mercado que tinha para outras stablecoins concorrentes e a Terraform Labs, que chegou a ser avaliada em US$ 400 milhões, declarou falência. Já o seu fundador, Do Kwon, está sendo investigado e já entrou na lista de procurados da Interpol, com paradeiro desconhecido.

3AC

A quebra do Terra acabou afetando o setor de criptoativos como um todo, já prejudicado devido ao "inverno cripto", termo do setor para se referir a um mercado de baixa. Com isso, empresas com exposições maiores ao ecossistema de Do Kwon acabaram sendo as primeiras a quebrar. Foi o caso da Three Arrows Capital, conhecida como 3AC.

Em meados de junho, a queda do mercado cripto provocou uma sequência de liquidações no portfólio do fundo de investimentos focado em ativos digitais, estimadas em pelo menos US$ 400 milhões. Com isso, a empresa, que tinha cerca de US$ 10 bilhões em investimentos, acabou enfrentando problemas financeiros e jurídicos, quebrando.

A 3AC foi um importante investidor do mercado cripto nos últimos anos, com investimentos em diferentes setores da indústria, como NFTs, DeFi, protocolos em blockchain e empresas ligadas a este mercado. Por conta do grande volume de investimentos, a confirmação da dissolução do fundo teve impacto imediato nos preços dos criptoativos.

Voyager

Além do impacto nos preços de ativos, a liquidação da 3AC também gerou uma série de problemas financeiros para empresas que dependiam dos investimentos do fundo, caso da Voyager Digital. A plataforma de negociação e empréstimos de criptomoedas anunciou que foi vítima de calotes do fundo de mais de US$ 600 milhões.

Sem o dinheiro, a empresa acabou declarando falência em julho de 2022, antes disso congelando saques e negociações por parte de clientes. Com isso, deu-se início também a uma competição pela compra dos ativos da empresa, com destaque para as duas maiores exchanges do mundo: a Binance e a FTX.

Em setembro, a FTX saiu vitoriosa, com uma proposta de US$ 1,4 bilhão pela empresa. Poucos meses depois, porém, foi a compradora que acabou quebrando, dando fim ao acordo. Já em dezembro, foi anunciado que o braço da Binance nos EUA, a Binance.US, vai adquirir os ativos da companhia.

Celsius

Poucos dias depois da Voyager, foi a vez da Celsius declarar falência. Considerada uma das maiores empresas de empréstimos com criptoativos do mundo, a plataforma também foi vítima das condições adversas do mercado e problemas de liquidez, entrando com um pedido de falência nos Estados Unidos em 14 de julho.

A decisão ocorreu cerca de um mês depois da companhia ter congelado os saques de fundos de clientes, o que alertou o mercado sobre possíveis problemas financeiros mais profundos. Depois disso, anunciou um processo de reestruturação de negócios.

Para atrair investidores, a Celsius alegava que os riscos da operação eram baixos e os retornos para os depositantes muito mais elevados do que em bancos tradicionais. Com o modelo atraente, ela cresceu em poucos anos e chegou a ser avaliada em US$ 3 bilhões, com quase US$ 12 bilhões de ativos sob custódia. Porém, conforme a demanda por empréstimos caiu, a empresa acabou não conseguindo se sustentar.

FTX

Até novembro de 2022, a FTX era considerada um fenômeno no mercado de criptoativos. Avaliada em US$ 32 bilhões no início do ano, a empresa fundada pelo jovem bilionário Sam Bankman-Fried disparou 1000% em receita em 2021, tornando o CEO a pessoa mais jovem a ultrapassar uma fortuna de US$ 1 bilhão na história.

Em poucos dias, porém, o cenário se inverteu completamente. A segunda maior exchange do mercado foi derrubada por uma onda de tentativas de saques de clientes após revelações de uso de fundos dos investidores em negócios de alto risco por parte da Alameda Research, outra empresa fundada por Bankman-Fried.

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As informações derrubaram o token nativo da empresa, o FTT, e revelaram uma falta de liquidez que obrigou a empresa a congelar saques, incapaz de fornecer todos os valores requisitados. O CEO da FTX chegou a afirmar que seriam necessários US$ 8 bilhões em empréstimos para resolver a situação. Sem opção, entrou com um pedido de falência nos EUA.

A Binance chegou a cogitar uma compra da concorrente, mas desistiu. Agora, o processo de falência revelou uma série de inconsistências e falhas na empresa, ao mesmo tempo em que os clientes seguem sem acesso aos seus fundos e o agora ex-CEO, Sam Bankman-Fried, corre o risco de enfrentar mais de 100 anos de prisão nos EUA em processos por fraudes e outros crimes.

BlockFi

Assim como a quebra da Terra e a da 3AC, a falência da FTX teve um efeito em cadeia no mercado, prejudicando em especial as empresas mais expostas à corretora de criptoativos. O maior exemplo desses problemas é a BlockFi, uma das gigantes na área de empréstimos com ativos digitais.

Auxiliada pela própria FTX quando outras falências atingiram o mercado, a BlockFi acabou revelando uma alta exposição à empresa, negada ou diminuída anteriormente. Ao todo, ela tinha R$ 1,8 bilhão que acabaram presos na exchange. Sem liquidez, foi obrigada a congelar saques e, por fim, declarar falência em 28 de novembro.

A empresa informou ainda que possui cerca de 100 mil credores e passivos variando entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões, com US$ 256,9 milhões em reservas disponíveis. Agora, ela deu início a um processo de reestruturação para tentar quitar suas dívidas e reaver ao menos parte dos fundos para seus clientes.

Mesmo assim, ela não foi a única afetada pela FTX. Empresas importantes para o setor, como a Genesis e a Gemini, também acabaram impactadas pela falência, e algumas ainda não descartam a possibilidade de seguirem pelo mesmo caminho de outras empresas cripto, em uma história que deve ganhar novos capítulos ao longo de 2023.

Core Scientific

Encerrando 2022, o setor de mineração de criptomoedas também foi abalado por uma grande falência. A Core Scientific, maior mineradora de bitcoin do mundo, enfrentou problemas por alguns meses até o seu anúncio de quebra em 21 de dezembro.

O desequilíbrio causado pela queda na cotação do bitcoin e o aumento nos custos de operação impactou negativamente os negócios de todas as empresas de mineração ao longo de 2022, incluindo a empresa.

O passivo estimado da mineradora está entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões, de acordo com a solicitação. A empresa tem entre mil e 5 mil credores, sendo o maior deles o banco de investimentos B. Riley.

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