2ª maior corretora cripto do mundo vence disputa e paga US$ 1,4 bilhão por empresa falida

Binance, FTX e Wave disputavam leilão para comprar Voyager Digital, empresa de criptomoedas que declarou falência em julho por conta de “condições de mercado”
Sam Bankman-Fried é CEO da FTX (Bloomberg/Getty Images)
Sam Bankman-Fried é CEO da FTX (Bloomberg/Getty Images)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 27/09/2022 às 15:44.

Última atualização em 27/09/2022 às 15:45.

Na última segunda-feira, 26, a FTX.US venceu um leilão para comprar a Voyager Digital, empresa de investimentos em criptomoedas que declarou falência em julho. O braço norte-americano da FTX, atual 2ª maior corretora cripto do mundo em volume de negociações, teria oferecido US$ 1,4 bilhão pela empresa, que aceitou a oferta.

Segundo um comunicado da Voyager Digital, a oferta foi superior as de outras gigantes do mercado cripto, que também estavam na disputa pela compra, como Binance e Wave Financial.

“A Voyager recebeu vários lances contemplando alternativas de venda e reorganização, realizou um leilão e, com base nos resultados do leilão, determinou que a transação de venda com a FTX é a melhor alternativa para os acionistas da Voyager”, afirmou o comunicado.

(Mynt/Divulgação)

A Voyager Digital iniciou seu processo de falência em 11 de julho, depois de ter congelado os ativos de seus clientes e interromper as negociações de sua plataforma, alegando “condições de mercado”.

Desde então, a empresa abriu licitações para empresas interessadas em comprá-la, e várias interessadas de peso surgiram para fazer parte do processo de reestruturação da empresa.

Conhecido por ter despendido grandes quantias de dinheiro em prol da estabilidade do mercado cripto, Sam Bankman-Fried, o CEO da FTX, ganhou o apelido de “salvador das criptomoedas”. Agora, seu braço nos Estados Unidos irá pagar US$ 1,4 bilhão pela falida Voyager Digital.

De acordo com dados do Yahoo Finance, as ações da Voyager Digital despencaram 98,56% em 2022. Em comparação com sua máxima histórica de US$ 26, hoje cada ação da empresa vale US$ 0,17, mesmo com uma alta de 74,55% nas últimas 24 horas após o acordo entre a Voyager Digital e a FTX.US.

Em agosto, US$ 270 milhões foram liberados para saques como parte do pedido de falência da empresa, projeto que será mantido mesmo com a venda.

“Os resultados do leilão não alteram a data limite nem a necessidade de os clientes determinarem se devem registrar uma reclamação”, declarou a Voyager em um comunicado, que ainda pedia para os clientes solicitarem a recuperação de suas criptomoedas até 3 de outubro.

Porém, nesta terça-feira, 27, a FTX.US anunciou a saída de seu presidente, Brett Harrison. No cargo desde maio de 2021, ele foi ao Twitter para comentar o assunto:

"Estou deixando o cargo de presidente da FTX.US. Nos próximos meses, vou transferir minhas responsabilidades e passando para uma função de consultoria na empresa”, publicou.

"Mal posso esperar para compartilhar mais sobre o que estou fazendo a seguir. Até lá, ajudarei Sam e a equipe nessa transição para garantir que o FTX termine o ano com todo o seu impulso característico", acrescentou Harrison.

Avaliada em US$ 32 bilhões no início do ano, a FTX é um verdadeiro fenômeno do mercado de criptomoedas. Criada pelo jovem bilionário de 30 anos, a corretora disparou 1000% em receita em 2021. Seu braço norte-americano, a FTX.US, foi lançado em maio de 2020.

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