Repórter
Publicado em 3 de julho de 2026 às 20h01.
Última atualização em 3 de julho de 2026 às 20h02.
Se dependesse das respostas do ChatGPT, o confronto entre Argentina e Cabo Verde nesta sexta-feira, 3, pelas oitavas de final da Copa do Mundo já teria um roteiro praticamente definido.
Um levantamento da Ranqia, fornecido à EXAME, mostra que a inteligência artificial aponta, sem exceção, vitória da Argentina, tendo o placar de 2 a 0 como resultado mais provável e Lionel Messi como o jogador com maior chance de marcar.
Segundo o estudo, que submeteu repetidamente quatro perguntas ao ChatGPT ao longo do dia da partida, 69% das respostas que pediam um placar exato apontaram 2 a 0 para a Argentina, enquanto outros 30% indicaram vitória por 3 a 0. Em nenhum momento a IA previu empate ou triunfo de Cabo Verde.
O consenso também aparece quando a pergunta muda de formato. Ao ser questionado sobre o saldo de gols mais provável, o modelo dividiu as respostas entre vitórias por dois gols (57%) e por três gols (39%). Somadas, essas duas possibilidades representam 96% dos palpites finais.
A pesquisa mostra ainda que a IA atribui à Argentina uma probabilidade média de 90% de classificação, enquanto Cabo Verde aparece com apenas 8%. Em 71% das respostas, o ChatGPT classificou os argentinos como "amplamente favoritos", sem que nenhuma resposta demonstrasse neutralidade ou preferência pela seleção africana.
O consenso é ainda maior quando a pergunta envolve quem deve marcar gols.
Lionel Messi aparece como o provável goleador em 100% das respostas, sem que qualquer outro atleta ocupe a primeira posição em algum momento. Lautaro Martínez surge como segunda opção em metade das respostas e Julián Álvarez em 40%, mas sempre atrás do camisa 10 argentino.
O estudo mostra que o modelo costuma seguir uma mesma linha de raciocínio: primeiro aponta a alta probabilidade de vitória da Argentina, depois transfere esse favoritismo para seus atacantes e, por fim, conclui que Messi é o candidato natural a marcar por ser o principal artilheiro da equipe no torneio.
Apesar da ampla vantagem atribuída à Argentina, o ChatGPT mantém um tom positivo ao tratar de Cabo Verde.
A campanha histórica da seleção africana é lembrada em praticamente todas as respostas sobre classificação, enquanto sua organização defensiva aparece como um dos argumentos mais frequentes do levantamento. Esse aspecto, porém, não altera o vencedor previsto pela IA.
Segundo a Ranqia, a defesa cabo-verdiana funciona como um "freio" às previsões mais elásticas. Ela explica por que o ChatGPT prefere indicar um 2 a 0 em vez de goleadas mais amplas, embora nunca coloque em dúvida o favoritismo argentino.
Na prática, o estudo conclui que o modelo separa claramente sentimento e recomendação: Cabo Verde recebe elogios pela campanha e pela solidez defensiva, mas isso não se traduz em chances reais de classificação.
A análise aponta que o ChatGPT não cria previsões próprias, mas sintetiza informações de analistas, modelos estatísticos e casas de apostas.
Referências a modelos estatísticos aparecem em cerca de 78% das respostas, tornando-se o argumento mais recorrente do estudo. Em contrapartida, ressalvas sobre a imprevisibilidade do futebol surgem em apenas 4% dos casos.
Outro aspecto observado é que a formulação da pergunta influencia a resposta. Quando o usuário pede um placar exato, a IA converge para o 2 a 0. Já perguntas sobre saldo de gols distribuem as respostas entre dois e três gols de vantagem, embora sem alterar o vencedor previsto.
A Ranqia também analisou quais fontes alimentam as respostas do ChatGPT.
A Reuters foi o domínio mais citado pelo modelo, aparecendo no corpo de cerca de 73% das respostas e liderando o ranking consolidado de influência. Também figuram entre as principais referências veículos como Squawka, CBS Sports, New York Post, Fox Sports e The Analyst (Opta).
O estudo identificou ainda que entre 38% e 50% das buscas internas realizadas pelo ChatGPT acontecem em inglês, mesmo quando as perguntas são feitas integralmente em português. Segundo a Ranqia, isso explica o peso predominante de fontes internacionais nas respostas produzidas pela IA.