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Por que a Copa de 2026 abandonou o modelo de construção de estádios?

Estados Unidos, Canadá e México apostam em Arenas já consolidadas e adotam uma nova estratégia na infraestrutura dos grandes eventos esportivos

Estádio Azteca durante cerimônia de abertura da Copa do Mundo (YURI CORTEZ / AFP/AFP)

Estádio Azteca durante cerimônia de abertura da Copa do Mundo (YURI CORTEZ / AFP/AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 29 de junho de 2026 às 13h40.

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Dos 16 estádios que receberão partidas da Copa do Mundo de 2026, nenhum foi construído para o torneio. A escolha rompe com o modelo adotado em edições recentes, marcadas por grandes investimentos em novas arenas. Em vez disso, Estados Unidos, Canadá e México optaram por utilizar estádios existentes, capazes de atender às exigências da competição com adaptações pontuais.

A mudança não ocorre por acaso. Nas últimas décadas, a construção de estádios para grandes competições passou a ser alvo de questionamentos devido aos altos custos e às dificuldades de utilização dessas estruturas após os eventos. Em diferentes países, arenas erguidas para megaeventos enfrentam desafios para manter níveis elevados de ocupação e geração de receitas após o encerramento das competições, alimentando debates sobre custos e legado.

A estratégia contrasta com o modelo adotado em Copas anteriores. No Brasil, em 2014, os investimentos nos 12 estádios do torneio somaram cerca de R$8,4 bilhões, segundo balanço consolidado divulgado pelo governo federal após a competição. Entre os casos mais emblemáticos esteve a Arena Amazônia, construída para o Mundial por aproximadamente R$670 milhões.

Já no Catar, sede da edição de 2022, sete dos oito estádios utilizados foram erguidos especificamente para o torneio. Estimativas repercutidas por Reuters e Associated Press apontam investimentos superiores a US$200 bilhões em projetos ligados à Copa, incluindo transporte, mobilidade urbana, hotelaria e infraestrutura esportiva.

Para Moisés Assayag, sócio da Channel Associados, a decisão reflete uma mudança de mentalidade na gestão financeira dos grandes eventos esportivos. "A realização de uma Copa do Mundo deixou de ser analisada apenas pelo impacto de curto prazo e passou a exigir uma avaliação mais criteriosa sobre retorno dos investimentos e sustentabilidade financeira. Utilizar estruturas já consolidadas reduz riscos, evita investimentos de baixa utilização após o torneio e permite direcionar recursos para áreas que demandam investimentos marginais, como mobilidade, tecnologia, experiência do torcedor e operação do evento. Além disso, os Estados Unidos já contam com uma ampla rede de arenas modernas e multifuncionais, enquanto países com histórico de grandes competições, como o México, que sediará sua terceira Copa do Mundo, possuem estádios mais preparados para atender às exigências do torneio, o que reduz custos e torna a operação mais eficiente", afirma.

Por que essa Copa é diferente

Na América do Norte, o cenário é diferente. Dos 11 estádios localizados nos Estados Unidos, nove são utilizados regularmente por franquias da NFL. O MetLife Stadium, em Nova Jersey, que receberá a final da Copa, é um exemplo de arena multiuso que opera durante todo o ano recebendo eventos esportivos e de entretenimento. O mesmo acontece com outras sedes do torneio, como o AT&T Stadium e o Mercedes-Benz Stadium.

Segundo a FIFA, os estádios selecionados já atendiam grande parte dos requisitos de capacidade, operação e infraestrutura exigidos para uma Copa do Mundo. Com isso, os investimentos ficaram concentrados em adequações temporárias para o futebol, e não em obras permanentes.

"Os grandes estádios da América do Norte já nasceram com vocação multiuso. O desafio não é construir novas estruturas, mas adaptar rapidamente espaços que recebem esportes e entretenimento para atender às exigências de uma Copa do Mundo. Isso exige planejamento, soluções temporárias e uma operação extremamente eficiente", afirma Sérgio Schildt, presidente da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva há 47 anos.

Mais do que reduzir custos de construção, a estratégia busca garantir que os estádios mantenham utilidade e viabilidade econômica após o torneio. Em um cenário de maior preocupação com custos, legado e eficiência operacional, a capacidade de adaptar e operar arenas multiuso passa a ser um dos principais critérios para a realização de grandes eventos internacionais.

A World Sports, especializada na construção e manutenção de gramados esportivos de alta performance, que tem escritórios no Brasil e nos EUA, desempenha um papel estratégico nesse novo cenário global de arenas multiuso. A empresa participou de projetos em estádios que sediam os jogos da Copa do Mundo de Futebol FIFA 2026, levando sua expertise ao torneio por meio de consultorias para o Estádio Akron (México) e o Estádio Azteca (México); para os Centros de Treinamento do Chivas Guadalajara, do America, do Mayakoba e do Tijuana, além do Levi's Stadium, em São Francisco (Estados Unidos).

Para Roberto Gomide, founder & CEO da World Sports, a transição entre eventos e partidas oficiais sem perder o padrão de excelência reflete o amadurecimento da gestão esportiva:
“Os estádios precisam gerar receita durante todo o ano e, para isso, recebem cada vez mais eventos diferentes. Isso é uma tendência mundial. O grande desafio é manter um gramado de alto desempenho mesmo com essa intensa utilização. Felizmente, a evolução das tecnologias de construção, drenagem, irrigação e manutenção permite que isso aconteça sem comprometer a qualidade do campo.

Hoje, um estádio moderno consegue ser multiuso e, ao mesmo tempo, entregar uma superfície em padrão FIFA para grandes jogos internacionais. Mas tão importante quanto a tecnologia é contar com uma rede de fornecedores especializados e preparados para atender às exigências de cada projeto. O sucesso de uma arena multiuso depende da integração entre planejamento, execução e parceiros capazes de responder com qualidade e agilidade às demandas cada vez mais complexas desse mercado”, afirma.

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