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Como a Copa de 2026 pode mudar para sempre a relação dos EUA com o futebol

Após crescer com a MLS e o efeito Messi, Estados Unidos enxergam no Mundial novo salto para a modalidade

Trump e Infantino: Parceria entre governo norte-americano e Fifa também tende a impulsionar o futebol local

Trump e Infantino: Parceria entre governo norte-americano e Fifa também tende a impulsionar o futebol local

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 28 de abril de 2026 às 05h14.

Durante décadas, o futebol ocupou (e ainda ocupa) um espaço secundário nos Estados Unidos. Enquanto o basquete, beisebol, hóquei no gelo e futebol americano monopolizavam paixões, audiência e cifras — o futebol americano sozinho deve gerar US$ 25,5 bilhões em receita nos Estados Unidos em 2025, segundo a empresa de dados alemã Statista —, o futebol seguia como um esporte respeitado, mas raramente central.

A Copa do Mundo de 2026, porém, pode funcionar como uma mudança de patamar.

Os sinais já aparecem nos números: a Federação Americana de Futebol (USSF) registrou US$ 263,7 milhões em receita no ano fiscal de 2025, alta de 37% sobre 2024 e o maior resultado em oito anos.

As receitas de patrocínio subiram 19%, para US$ 121,1 milhões, com novos contratos firmados com marcas como Bank of America, Home Depot e Jim Beam. Na liga profissional, a Major League Soccer (MLS) encerrou sua 30ª temporada regular com 11,2 milhões de torcedores nas arquibancadas e uma audiência televisiva semanal de 3,7 milhões de espectadores — crescimento de 29% em relação a 2024.

Em perspectiva histórica, o total de espectadores da MLS saltou de 30,6 milhões em 2018 para 48,2 milhões em 2024, avanço de 57% em seis anos.

O mercado americano de futebol deve crescer a uma taxa anual de 3,65% até 2029, quando deve atingir US$ 5,18 bilhões. Projeção que, segundo analistas, pode ser conservadora diante do impulso que 104 partidas em solo norte-americano tendem a gerar.

Copa do Mundo não é novidade nos Estados Unidos

Embora o esporte não seja o mais popular no país, essa é a segunda vez que os Estados Unidos sediam uma Copa do Mundo. A primeira foi em 1994 e terminou com a seleção brasileira campeã.

Apesar de o país receber o torneio, o cenário era diferente. Os Estados Unidos ainda não contavam com uma liga profissional consolidada, e o esporte ganhou atenção principalmente durante a realização da competição. Ainda assim, o Mundial serviu como pontapé inicial para a criação desse mercado. A MLS foi fundada em 1996, dois anos após a Copa, aproveitando boa parte da estrutura deixada pelo torneio.

Com o passar dos anos, a MLS cresceu em estrutura, público e visibilidade. Clubes construíram estádios modernos, atraíram estrelas internacionais e fortaleceram categorias de base. A chegada de Lionel Messi ao Inter Miami acelerou esse processo e mostrou o potencial comercial do futebol no país.

Impactos que o Mundial pode gerar no país

Há também o impacto econômico e midiático. A Copa de 2026 tem projeção de movimentar bilhões de dólares nos Estados Unidos, impulsionada por turismo, consumo, patrocínios e direitos de transmissão. Segundo estimativas divulgadas pela Fifa, a edição de 2026 pode gerar US$ 10,9 bilhões (R$ 54,5 bilhões) em receitas diretas, acima dos US$ 7 bilhões registrados na Copa anterior.

No campo da audiência, a tendência também é de crescimento. A final da Copa de 2022 foi assistida por cerca de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo, segundo a Fifa, e esse número deve aumentar agora em 2026, uma vez que mais seleções estão participando e o público norte-americano poderá demonstrar mais interesse pelo evento estar acontecendo em seu próprio país.

Isso significa que o futebol vai ultrapassar a NFL ou a NBA? Pouco provável no curto prazo. Essas ligas têm raízes profundas, tradição familiar e calendário consolidado no país norte-americano.

No entanto, o futebol deve entrar cada vez mais na cultura e no dia a dia dos Estados Unidos e pode começar a figurar como uma quinta potência no cenário esportivo.

Uma prova disso são os torneios sendo realizados no país. Nos últimos anos, os americanos receberam a Copa Ouro, a Copa América e o Mundial de Clubes.

Além disso, a Confederação dos Estados Unidos lançou o programa "Soccer Forward". A ideia é utilizar a popularidade da MLS e da Copa do Mundo para dar oportunidades para jovens que queiram jogar futebol.

Embora a modalidade masculina ainda esteja buscando se consolidar, a feminina já é uma realidade no país norte-americano.

A seleção feminina dos Estados Unidos é uma potência, sendo tetracampeã da Copa do Mundo, pentacampeã da Olimpíada e já ocupou o primeiro lugar do ranking da Fifa em diversas ocasiões.

O país também já sediou duas Copas do Mundo Feminina, em 1999 e 2003, e sediará a terceira em 2031, em conjunto com Costa Rica, Jamaica e México.

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