Durante décadas, o futebol ocupou (e ainda ocupa) um espaço secundário nos Estados Unidos. Enquanto o basquete, beisebol, hóquei no gelo e futebol americano monopolizavam paixões, audiência e cifras — o futebol americano sozinho deve gerar US$ 25,5 bilhões em receita nos Estados Unidos em 2025, segundo a empresa de dados alemã Statista —, o futebol seguia como um esporte respeitado, mas raramente central.
A Copa do Mundo de 2026, porém, pode funcionar como uma mudança de patamar.
Os sinais já aparecem nos números: a Federação Americana de Futebol (USSF) registrou US$ 263,7 milhões em receita no ano fiscal de 2025, alta de 37% sobre 2024 e o maior resultado em oito anos.
As receitas de patrocínio subiram 19%, para US$ 121,1 milhões, com novos contratos firmados com marcas como Bank of America, Home Depot e Jim Beam. Na liga profissional, a Major League Soccer (MLS) encerrou sua 30ª temporada regular com 11,2 milhões de torcedores nas arquibancadas e uma audiência televisiva semanal de 3,7 milhões de espectadores — crescimento de 29% em relação a 2024.
Em perspectiva histórica, o total de espectadores da MLS saltou de 30,6 milhões em 2018 para 48,2 milhões em 2024, avanço de 57% em seis anos.
O mercado americano de futebol deve crescer a uma taxa anual de 3,65% até 2029, quando deve atingir US$ 5,18 bilhões. Projeção que, segundo analistas, pode ser conservadora diante do impulso que 104 partidas em solo norte-americano tendem a gerar.
Copa do Mundo não é novidade nos Estados Unidos
Embora o esporte não seja o mais popular no país, essa é a segunda vez que os Estados Unidos sediam uma Copa do Mundo. A primeira foi em 1994 e terminou com a seleção brasileira campeã.
Apesar de o país receber o torneio, o cenário era diferente. Os Estados Unidos ainda não contavam com uma liga profissional consolidada, e o esporte ganhou atenção principalmente durante a realização da competição. Ainda assim, o Mundial serviu como pontapé inicial para a criação desse mercado. A MLS foi fundada em 1996, dois anos após a Copa, aproveitando boa parte da estrutura deixada pelo torneio.
Com o passar dos anos, a MLS cresceu em estrutura, público e visibilidade. Clubes construíram estádios modernos, atraíram estrelas internacionais e fortaleceram categorias de base.
A chegada de Lionel Messi ao Inter Miami acelerou esse processo e mostrou o potencial comercial do futebol no país.
Impactos que o Mundial pode gerar no país