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David Energy: Modelo da startup armazena eletricidade nos horários de menor demanda e promete economia de 3% a 5% por mês (Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 27 de julho de 2026 às 14h10.
No Café Mars, no Brooklyn, em Nova York, a decisão de operar uma cozinha totalmente elétrica trouxe efeitos distintos. De um lado, o restaurante reduziu as emissões de carbono e melhorou a qualidade do ar para os chefs que preparam pratos como ravióli de costela e cannolis de tofu. De outro, passou a lidar com uma conta mensal de eletricidade de US$ 4.000, cerca de R$ 20.264.
“Nossa conta de eletricidade é absurda. E isso é difícil”, disse Paul D’Avino, proprietário e co-chef do restaurante italiano de 45 lugares.
Para tentar reduzir esse custo, o Café Mars começou a usar seis baterias plug-in fornecidas gratuitamente pela David Energy, startup que atua no fornecimento de energia. Os equipamentos armazenam eletricidade durante a noite, quando a demanda e os preços são menores, e liberam essa energia ao longo do dia, nos momentos de maior consumo.
A empresa estima que o sistema possa reduzir entre 3% e 5% da conta mensal de estabelecimentos como o Café Mars. No restaurante, as baterias foram instaladas em meados de maio e reduziram em US$ 104 o último pagamento de eletricidade. “Mesmo que seja 1% da nossa conta, é melhor do que 0%”, afirmou D’Avino.
Baterias entram no Plano Safra e aproximam o agro da transição energéticaO modelo depende da arbitragem de preços, estratégia baseada na compra de energia em períodos mais baratos para uso quando os preços estão mais altos. A David Energy financia a instalação das baterias e tenta capturar, no mercado de energia, valor suficiente para cobrir o investimento, conceder desconto aos clientes e preservar sua própria margem. “Estamos financiando a bateria antecipadamente e depois extraindo o valor dessa bateria no mercado de energia”, disse James McGinniss, CEO da empresa, à Bloomberg.
A solução ganha espaço em um contexto de alta dos preços da eletricidade nos Estados Unidos e queda no custo das baterias. Em Nova York, as tarifas de energia subiram 6,1% no ano passado, aumentando a pressão sobre pequenos negócios com margens apertadas.
Para empresas como o Café Mars, o problema não está apenas no volume total de eletricidade consumida. Parte relevante da fatura vem das chamadas tarifas de demanda, cobranças calculadas a partir do maior nível de uso de energia registrado em um único momento do mês. No caso do restaurante, elas representam quase metade da conta.
Essa estrutura torna os picos de consumo particularmente caros. Segundo Yury Dvorkin, pesquisador de redes elétricas da Universidade Johns Hopkins, pequenas diferenças entre a energia disponível na rede e o consumo podem provocar aumentos bruscos de preço.
“O custo de uma bateria não é nada comparado a quanto dinheiro você pode ganhar com a arbitragem de preços”, disse.
A combinação de baterias distribuídas em diferentes imóveis forma o que o setor chama de usina virtual, rede coordenada de equipamentos capazes de armazenar e liberar energia conforme as condições do sistema elétrico. Em muitos casos, essas estruturas são usadas para vender eletricidade de volta à rede durante os horários de preços elevados.
Em Nova York, no entanto, esse tipo de instalação pode enfrentar um processo prolongado de licenciamento junto ao Corpo de Bombeiros. A David Energy tenta contornar essa barreira com equipamentos plug-in que não injetam energia na rede.
Em vez disso, as baterias abastecem diretamente o estabelecimento quando o preço da eletricidade sobe. Um software da empresa prevê os horários de maior demanda e alterna automaticamente o fornecimento entre a rede e a energia armazenada.
Desde dezembro, a David Energy instalou quase 1.500 baterias em 150 empresas na cidade e assinou contratos para implantar outras 2.000 unidades.
Além da redução de custos, o uso coordenado desses equipamentos pode diminuir a necessidade de acionamento das chamadas usinas de pico, unidades movidas a combustíveis fósseis que entram em operação quando a demanda pressiona a rede elétrica. Em Nova York, isso costuma ocorrer nos dias mais quentes do verão, quando o uso de aparelhos de ar-condicionado aumenta.
As regulamentações ambientais do estado preveem a retirada gradual dessas usinas. Ainda assim, o New York Independent System Operator, organização sem fins lucrativos responsável pela gestão da rede estadual, tem prorrogado seu funcionamento sob a justificativa de evitar riscos de apagões.
A próxima etapa da David Energy é ampliar sua atuação para além do armazenamento. Ainda este ano, a empresa pretende começar a adquirir energia solar para seus clientes por meio de contratos de compra de energia. No futuro, também planeja ser proprietária de fazendas solares.
“Nos próximos anos, achamos que poderemos suprir toda a nossa demanda de pico diurno com energia solar e baterias”, disse McGinniss.
Por enquanto, a David Energy opera apenas em Nova York, mas afirma que pretende entrar em outros mercados metropolitanos no início do próximo ano. No Café Mars, a redução de US$ 104 ainda representa uma fração da conta total, mas indica como pequenos negócios podem buscar alguma proteção contra a volatilidade do custo da eletricidade.
*Com informações da Bloomberg