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Estudo aponta estabilização dos custos de tecnologias maduras e destaca desafios relacionados ao preço de matérias-primas e do gás natural (Jacobs Stock Photography Ltd/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 12 de julho de 2026 às 08h00.
As fontes renováveis evitaram um gasto estimado em US$ 480 bilhões com combustíveis fósseis em 2025 e impediram a emissão de cerca de 8,4 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO₂).
Os dados são do relatório anual da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), que aponta as tecnologias renováveis como a alternativa mais competitiva em custo para novos projetos de geração de eletricidade.
Segundo o levantamento, mais de 90% dos empreendimentos renováveis de grande porte que entraram em operação em 2025 passaram a fornecer energia a um custo inferior ao da usina movida a combustíveis fósseis mais barata construída em seus respectivos mercados.
Para a IRENA, o resultado reforça o papel das renováveis não apenas na redução de emissões, mas também na segurança energética, na estabilidade econômica e na resiliência climática.
Entre as principais tecnologias, a energia solar fotovoltaica manteve em 2025 o mesmo custo médio registrado no ano anterior, de US$ 44 por megawatt-hora (MWh). A geração eólica apresentou novas reduções: a eólica terrestre caiu para US$ 33/MWh, enquanto a eólica offshore, instalada no mar, chegou a US$ 78/MWh.
Já as tecnologias renováveis despacháveis — capazes de fornecer energia sob demanda — registraram aumento nos custos. A geração hidrelétrica alcançou US$ 62/MWh, a geotérmica chegou a US$ 89/MWh e a energia solar de concentração atingiu US$ 115/MWh. A bioenergia foi a única exceção, com redução para US$ 86/MWh.
O relatório também destaca que, desde 2010, os custos da energia solar fotovoltaica recuaram 89%, enquanto a eólica terrestre ficou 71% mais barata e a eólica offshore acumulou queda de 63%.
Na avaliação da agência, a redução no preço das baterias tem acelerado a adoção de sistemas híbridos que combinam geração solar com armazenamento de energia. Em 2025, aproximadamente um quarto de toda a nova capacidade solar em escala de concessionária entrou em operação integrada a baterias.
A IRENA também aponta o avanço de tecnologias emergentes de armazenamento. Segundo o documento, baterias de íon-sódio vêm ganhando espaço comercial à medida que a alta dos preços do lítio fortalece sua viabilidade econômica.
A agência observa que mudanças tecnológicas podem ocorrer rapidamente quando uma nova solução demonstra vantagens em custo e desempenho, citando a substituição acelerada das baterias de níquel-manganês-cobalto pelas de fosfato de ferro-lítio nos últimos anos.
Enquanto os custos das renováveis seguem competitivos, o relatório chama atenção para a pressão sobre a geração elétrica a gás fóssil. Nos Estados Unidos, a escassez de turbinas praticamente dobrou o custo de capital de novas usinas de ciclo combinado.
Em mercados com preços mais elevados do combustível, como Itália, Alemanha e Japão, o custo da geração se aproximou de US$ 100/MWh. Já em mercados com gás mais barato, o custo nivelado de energia (LCOE, sigla em inglês para custo nivelado de energia) permaneceu entre US$ 50 e US$ 60/MWh.
O documento também observa que o conflito no Irã, iniciado no começo de 2026, indica a possibilidade de preços mais elevados para gás natural e energia ao longo deste ano.
Para os próximos cinco anos, a expectativa da IRENA é de continuidade na queda dos custos dos sistemas híbridos, embora em ritmo mais lento e de forma desigual entre as tecnologias.
Enquanto os custos da energia solar fotovoltaica e da eólica terrestre tendem à estabilização, baterias e soluções de armazenamento de longa duração ainda devem registrar reduções à medida que sua adoção aumenta.
Ao mesmo tempo, a agência alerta que a recuperação dos preços dos metais utilizados em baterias no início de 2026 demonstra que a volatilidade das matérias-primas pode desacelerar a trajetória de redução dos custos.